segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O cometa passou

O barulho fervilha nos ouvidos alheios, atiçando os até então adormecidos sentidos de sobrevivência. Tão logo é dado início, já se faz generalizado. O banquete está pronto, um festival de latas abrindo, pacotes estalando e ele, o salgadinho croc croc regendo toda barulheira. Os dentes ao trabalho não saem do tom e marcham pela madrugada, triturando o que lhes vier pela frente.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Cativeiro

O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um domingo de sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado e escapou. Ele tinha o largo horizonte do mundo à sua espera. Tinha as árvores do bosque ao alcance de seus dedos. Tinha o vento sussurrando promessas em seus ouvidos. Alemão tinha tudo isso. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, virou as costas. Em vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o restaurante lotado de visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão. Os humanos fugiram apavorados.
    Por que fugiram?
    O macaco havia virado um homem. 
    O perturbador desta história real não é a semelhança entre homem e o macaco. Tudo isso é tão velho quanto Darwin. O aterrador é que, como homem, o macaco virou as costas para a liberdade. E foi ao bar beber uma.
   Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro, certificar-se da sua liberdade. E da superioridade de sua espécie. Pode então voltar para o apartamento financiado em 15 anos satisfeito com sua vida. Abrir as grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à TV. Acorda na segunda-feira feliz para o batente. Feliz por ser homem. E por ser livre.
A vida que ninguém vê - Eliane Brum

Texto completo aqui: O Cativeiro (por Eliane Brum)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

As pombas são mais humanas

Uma frase um fiasco, um frasco aberto de bobagens sem fim, um sim um pão. Os humanos hoje me parecem um amontoado de pele e pelos, todos iguais caminhando na mesmadireção, digressão do destino. Aqui tem muito de tudo e tudo fica a mesma coisa, nada se distingue num mundo desigual, é a verdade que falta o povo ver.
Esse meu pensamento é um lixo que não deve ser reciclado, quando muito vire adubo prararaterra, prararaquara. Eu adoeço das minhas doenças quando não tenho lotes do que fazer.

 
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CUIDADO

Deixa que vá no vão de gente que vai, não vão, pode ter certeza. A volta, a vó já dizia, é vasta e vazia.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Púrpura falta de opção

Dois minutos e eu nem vi. Olhei pro mosquito morto na parede há dias, voltei pra tela, um copo d'água e simples, passou. Dois minutos, um dia, mas já não me interessa esse tempo perdido, me interessa o perder e o ganhar. Se a gente não perdesse tempo a vida não seria um jogo, sabe bem a fome que sempre ganha vontade depois de um tempo. Se eu fechasse os olhos e, quem diria, nada acontecesse, e se depois, ainda assim tudo eu ganhasse. Essa moeda de troca de mão única que é o tempo, a quem pagamos? A quem devemos? Um dia, é certo, apagaremos.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Diga-se da risada forçada.

Tudo limpo, pode olhar, dentes brancos, tênis novo.
Tudo novo, pode entrar, sala grande, ambientes climatizados.
Tudo certo, pode conferir, carro do ano, roupa da moda.
Ah, a felicidade alheia, parece tão fácil de conseguir, basta um único fator e fica tudo resolvido. A felicidade não gosta de muito questionamento, enche o saco rápido, muda de assunto, sai porta a fora dizendo que não sabe se volta pro jantar. Com brigas frequentes, fala em separação e eu digo "mas e as crianças, como é que ficam? Tudo isso que a gente construiu juntos", mas ela, resoluta, diz que tá cansada dessa história toda, que eu era muito diferente antes, depois de um tempo ficou impossível de conviver. Vou afogar as mágoas na tristeza que fica sempre aparecendo e me querendo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Não deixa o samba morrer

Acho que é por isso que dizem pra gente sonhar e aquele papo todo, o sonhar é o recheio do bolo, o sonho realizado é só a barriga cheia. Ter é tedioso, querer é totalmente excitante, deve ser culpa do instinto, sei que depois de conseguir vir morar em Porto Alegre, o grande sonho de uma vida, tudo se tornou como já era.

domingo, 17 de novembro de 2013

Percepções per capita.

Nos delimitamos a extremidades iguais no que diz respeito à percepção. Se não conhecemos, não percebemos, se conhecemos há muito tempo, também não percebemos. A mãe sempre me dizia que os índios, com a chegada dos portugueses, não conseguiram enxergar os navios a primeira instância, por justamente não saberem o que aquilo era ou significava, por nunca terem visto algo igual. É como enxergar algo totalmente fora do nosso conceito, o que é, óbvio, difícil de imaginar. Uma questão interessante que li certa vez era "Pense numa nova cor, diferente de todas as que você já conhece.", tentei e falhei, é impossível pensar em algo que eu já não conheça. Essa história dos índios pode ser só uma invenção, mas exemplifica a primeira parte da questão, quando não conhecemos, não percebemos. Esse conceito não é, de fato, universal, podendo haver algumas exceções, mas pensando no geral, acho que ele se aplica mesmo em casos onde o elemento em questão não seja totalmente desconhecido. As coisas e pessoas, logo que conhecemos, por mais que observemos, não possuímos conhecimento pra uma percepção completa, ficamos ativos pegando toda a informação possível. Parece óbvio isso tudo.
    Agora estava escovando os dentes e quando olhei no espelho percebi que saiam "ossos" de dentro da minha boca e que eu escovava eles sem sequer ligar. Quando terminei a escovação, olhei no espelho e percebi que o que a gente chama de boca, não passa de uma pele do avesso, que mostra uma parte interna do nosso corpo. Normal, todo mundo chega a essas conclusões uma vez ou outra, mas de tanto sabermos, conhecermos e vivenciarmos isso, deixamos de perceber o conceito dos dentes, por exemplo. A preocupação agora é se eles estão brancos e retos o suficiente. Uma foto com alguém sorrindo não nos dá medo ou receio por estarem saindo da boca da pessoa pedaços de cálcio em formatos retangulares, ou que a mesma boca que sorri é nada mais que um pedaço de carne exposta. O sorriso é um conceito de felicidade e nada mais. Esse exemplo do corpo é só mais um, pensando em coisas e pessoas, de novo, também chego a conclusão de que dá no mesmo. Depois de certo tempo as percepções vão cegando e a gente já vai enxergando só um conceito formado ao longo do tempo.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Arrefecer

Li "Banana Caturra R$ 1,49", entrei no armazém segurei uma das caixas com bananas e joguei com toda força no chão enquanto urrava "banana caturra, banana caturra", segurei outra e fiz o mesmo processo. Quando voltei a mim, apenas olhei para o dono do armazém que me olhou de volta.
    Entrando na Lopo, aquele sereno me arrebatou com vontade, olhei para as pessoas e elas passavam, passivas a tudo, serenas como a rua, percebi logo que eu também isso transparecia e foi o instante em que senti o ferro da jaula que carrego e que carrega a mim. Foi claro assim que vi que todo mundo fazia o mesmo, mas sem a sensação, a incomodação do ferro, fica mesmo difícil deixar o macaco irritado quando o mesmo está sendo alimentado com bananas caturra a R$ 1,49.
    Depois disso, todo o resto deixou de fazer sentido e eu só sentia o sol fermentando minha pele que já não se importava em procurar sombras. Com os olhos quase fechados caminhei pra casa sem nenhuma mudança aparente.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Deus não perdoa os pecados que manda cometer

Que fizeste com o teu irmão, perguntou, e caim respondeu com outra pergunta, Era eu o guarda-costas de meu irmão, Mataste-o, Assim é, mas o primeiro culpado és tu, eu daria a vida pela vida dele se tu não tivesses destruído a minha, Quis pôr-te à prova, E tu quem és para pores à prova o que tu mesmo criaste, Sou o dono soberano de todas as coisas, E de todos os seres, dirás, mas não de mim nem de minha liberdade, Liberdade para matar, Como tu foste livre para deixar que eu matasse a abel quando estava na tua mão evitá-lo, bastaria que por um momento abandonasses a soberba da infalibilidade que partilhas com todos os outros deuses, bastaria que por um momento fosses realmente misericordioso, que aceitasses a minha oferenda com humildade, só porque não deverias atrever-te a recusá-la, os deuses, e tu como todos os outros, têm deveres para com aqueles a quem dizem ter criado

Caim - José Saramago 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Digladia a mente.

Atroz a voz que vence, que vem, que vende longe, que vem de nada. Astuta mente estúpida entupida de opinião qualquer, não se aprochega pro mate, não mata ninguém, não nega negação nem diz que não. Liga no dia seguinte pra avisar o porquê de não ter ligado, se embaralha, disque denúncia, diz que não vai se repetir, disco arranhado, aranha cansada de arranhar , correta ela.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Escafedeu-se

A vida muda muito rápido, sem te dizer nada, trabalha friamente sem tu perceber e trama, como trama, tudo antes de tu virar e ver. Ela é o minuto que só muda quando tu desistiu de tentar ver mudar. A vida é isso ou nada disso, no fim das contas a gente nem percebe nada, vai perdendo os sentidos, sendo levado por uma constante inconstante.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Pouco

Cabes? Caibo. Mas é uma caixa tão pequena. Que diferença faz, a vida inteira sobrou espaço nos outros lugares que estive, de repente agora faça alguma diferença, pelo menos visualmente. Não gosto disso, ainda assim vais ficar desconfortável. O desconforto não é novidade, nem será o fim do mundo, onde antes eu cabia com folga, o desconforto era maior, pode ter certeza.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Poste aqui

Faz um tempo eu venho desistindo aos poucos da forma de ser convencional, não exatamente por querer, mas por simplesmente acabar não cabendo, não sabendo escolher ou agir. Nessa exclusão de meios sobram rabos e restam folhas. Essa forma tangente de sair não me garantiu qualquer exclusividade, nem sentimento de unicidade, sequer assim satisfação. Esses pés que sobram do outro lado misturam as coisas e deixam tudo como se fosse uma inalcançável questão. Aos poucos eu vou cedendo de um lado pra outro, pra não sair do lugar  "acho que não vai dar, tô cansado demais, vou ver a vida a pé".

O Mal amado

Então, varrendo o pátio me deparo com uma lagartixa morta cercada de formigas garantindo seu alimento para as próximas semanas. Prontamente passei a vassoura por cima, enquanto isso uma música calma tocava ao fundo, escolha minha, In the fade. Tudo isso me permitindo uma reflexão qualquer sem muita prioridade quando de repente vejo que a serenidade que me cabia era completamente oposta ao caos que reinava lá embaixo. As formigas desesperadas vendo seu alimento e muitas a si mesmo indo embora, morrendo, simplesmente do nada, sem aviso. Ninguém avisou a elas que eu limparia ou que comer a lagartixa era errado, elas só pensavam no futuro, coitadas. Quanto mal causamos enquanto estamos agindo, simplesmente, normalmente? Limpar a casa é um mal, definitivamente.

sábado, 2 de novembro de 2013

Subterfúgio

Não há falta
há fogo fraco queimando vento
Mato seco, isolado, queimando ao sol do verão
Quem são e quem poderia ser?
Ninguém por completude, nada por fazer.
O problema é não haver problema demais.

domingo, 27 de outubro de 2013

Das sutilezas do dilúvio

Por trás de quem mora o segredo de estar bem? Físico e mental nunca satisfeitos, uma eterna discórdia. 2 jatos em cada narina/ 3 meses. 1 comprimido/noite/20 dias. O físico parece mais fácil de lidar, mas ele sempre se compadece do mental e vai junto.

Fechar sem salvar

"Com licença"

A arte tem um papel a desempenhar nessa manobra da mente sobre a qual, não por coincidência, a própria civilização está fundada, pois as avaliações pouco solidárias que fazemos de outras pessoas em geral são resultado de nada mais que o hábito sinistro de olhar para eles da maneira errada, através das lentes embaçadas pela distração, pela exaustão e pelo medo, o que nos cega para o fato de que são, na verdade e apesar de  mil diferenças, apenas versões alteradas de nós mesmos: seres frágeis, inseguros e imperfeitos que também desejam amor e têm uma necessidade urgente de perdão.

Religião para ateus - Alain de Botton

A vida

A vida é nada mais que um motor ligado misteriosamente, que não sabe exatamente o lado que deve correr, mas corre e luta sem saber por que. Quem me contou isso foi a barata na cozinha, correu, correu, por fim ainda escapou de uma chinelada teleguiada. A vida dentro dessa barata é a mesma minha, a luta dela pra seguir vivendo não tem a mínima explicação, assim como a minha, mas o caso dela é que ela não pensa além do instinto. Instinto, nada mais que o combustível da vida, mas e quem é esse cara? Por que diabos nos diz pra correr desse jeito? A vida da barata, cara ou barata, cara ou coroa, é só mais uma vida dentre tantas outras que se vão uma hora outra sem qualquer explicação do porquê do tanto correr.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Perene

Irene by Rodrigo Amarante on Grooveshark

Sobreviveu ao ócio

Canso
Ganso n'água, manso
Ensopado até as penas do que não pertence

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2º ato

O primeiro deu errado.

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Comam do mais puro fel de seus anseios
Tudo que havia de bom já foi consumido pelo ego
Nego mas também provo, prova disso é isto
História pra boi dormir, e já está mesmo tarde.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Toujours la même chose.

Um sorriso falso, uma pessoa estranha, um passo em falso, um olhar desatento. A conversa folhada exaltando tudo que é meu, minha dor, minha glória. Hoje, do lado de fora, são todos iguais, se mostrando o que a priori não se deixava mostrar. Cada gesto maluco, atitude sem jeito, efeito ou manobra, tudo mostra um defeito igual. E o lado de dentro, bom espelho que é, sem ao menos perceber reflete, se tornando o que são se é que já não era.

Objetos sem objetivo, objeções obtusas, obter obter obter obter obter obter opter opoter o poder.

We're nothing but mirrors looking at other mirrors.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O vão

O vão da casa deixa o vento passar
a chuva também, mofa móveis, esfria a casa.
Cada vez que molha, o dono lembra de fechar o vão em vão,
porque, como de costume, o vão logo se abre.
Pelo vão se enxerga quase toda a casa.
O dono às vezes acha isso bom,
o vão deixa tudo mais natural,
o ar da manhã entra, a casa respira.
Mais uma vez, lá vai o dono consertar o vão,
fica a dúvida sobre quanto tempo vai durar.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ii. Como somos ensinados
1.
Reformar a educação universitária segundo os insights  obtidos da religião envolveria ajustar não apenas os currículos, mas também, e de maneira igualmente crucial, o modo como se ensina.
   Em seus métodos, o cristianismo tem desde o início sido guiado por uma simples mas essencial observação, que, não obstante, jamais causou qualquer impressão naqueles que comandam a educação secular: a facilidade com que esquecemos as coisas.
   Seus teólogos sabem que nossa alma sofre daquilo que os antigos filósofos gregos chamaram de akrasia, uma desconcertante tendência a saber o que deveríamos fazer combinada com uma persistente relutância em de fato fazer, seja devido à falta de força de vontade ou à distração. Todos temos consciência de que nos falta força para agir apropriadamente em nossa vida. O cristianismo representa a mente como um órgão indolente e inconstante, fácil de impressionar, mas sempre inclinado a alterar seu foco e deixar as responsabilidades de lado. Por conseguinte, a religião propõe que a questão central para a educação não é como neutralizar a ignorância - como sugerem os educadores seculares - mas como combater nossa relutância em agir de acordo com ideias que já compreendemos inteiramente em um nível teórico.

Religião para Ateus - Alain de Botton 
 

O vento carrega consigo o tempo, trazendo memórias, as nossas histórias, 
Marcas impressas, da vida passada, ausente, presente na pele, na mente
Ele guarda as nossas saudades,de friagens, mornas tardes de infâncias, 
As roupas, a música, o cheiro das comidas, a acolhida em abraços queridos
Sentar na varanda e sentir o vento, é sonhar com os sonhos já sonhados,
Voltar ao passado, viajar no espaço do tempo que um dia nos pertenceu
O vento não envelheceu, guardião de lembranças sem idade.
Contém em si tantos universos, tantas vidas, tantos sentimentos
E mesmo assim é leve, transitório, sem território, sem dono,
Produz aquilo que se propôs na criação
E nunca pára, nunca reclama, às vezes chora, grita,corre,
Sentindo talvez as angústias de tantos amores separados, dores, desejos frustrados
Saudades anônimas,
Alegrias sem fim de um filho nascido, de um desafio vencido
É o vento
Ele, que sem que ninguém perceba, nos transporta, transborda, transforma.

Antônia Esnarriaga de Souza 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

23 pares

Sou a mistura de dois seres diferentes do início ao fim, minha mãe uma mulher culta até onde sua criação permitiu que fosse, sentimental ao último, é o algodão no campo que ao menor passar do vento se mexe, sente. Ao mesmo tempo, uma mulher focada e inteligente, prática e rápida, no que também lhe foi permitido crescer nesse aspecto durante a vida. Ela escrevia, e ainda escreve às vezes, poesias lindas, textos complexos, sempre questionando a vida e buscando mais conhecimento. Meu pai, um homem lógico, alguém que a mãe sempre definiria como "frio e calculista!", de firmeza impecável, sério e simples, um homem que não reclama muito e que aprecia demais sua solidão. Por outro lado, o pai é piadista de primeira quando se sente seguro no ambiente, foi cantor e é amante da música latina, me fez crescer ouvindo Ráfaga entre outras bandas, me deu um violão ao mesmo tempo que me queria no quartel.
Eu sou a mistura de duas pessoas totalmente diferentes, se às vezes eu não me entendo, é justamente por eu ser metade de duas pessoas totalmente diferentes.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Amigo antigo amido de trigo.

Perca a pedra, prenda a presa, pise no freio.
O necessário é tão superestimado, tudo sentido falso, pré-criado, procriado em laboratório. Meu sabor enlatado, meu iogurte de morango aromatizado, que mundo é o real? Não este, não eu.

sábado, 28 de setembro de 2013

Le chat est noir

A chuva me toca
e me chuva
e eu chuvo
e ela chora
A chuva achava
e me chove
e eu choro
e ela curva
A chuva a chave
e mexia
e eu
chato
ignoro
.

sábado, 21 de setembro de 2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Até eu.

Em nossos momentos mais arrogantes, o pecado do orgulho - ou superbia, na formulação em latim de Agostinho -  domina nossas personalidades e nos isola daqueles ao redor. Perdemos o interesse pelos outros quando tudo o que procuramos fazer é afirmar o quanto as coisas estão indo bem para nós, da mesma maneira que a amizade só tem chance de crescer quando ousamos compartilhar aquilo que tememos e lamentamos. O resto é mero exibicionismo.

Religião para Ateus -  Alain de Botton

domingo, 15 de setembro de 2013

Nem tudo eco mo pareces.

Deixa acumular, pra amanhã, pra mais tarde.
Segunda, sem falta, na quarta começo.
Mas deixa, tanto faz, essa louça amanhã de manhã eu lavo.
Esse quarto eu varro, esse banheiro eu limpo.
Essa conta eu já não paguei?

Gastei, vivi, me endividei.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Quem sois vós?

Dorme o pobre rapaz cansado, derrotado por mais um dia. Deitado como pode, deixado a esmo e mesmo assim dorme. O sol já vem lhe alcançando o pescoço e logo será forçado a acordar, a parada que abriga não consegue deter o calor intruso. Mais um dia vem aí, onde nem dormir é certo, pois esse colchão remendado a qualquer momento pode ser retirado, nisso ele não pensa, só dorme, não importa o que aconteça.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Como eu sou criança

08 de julho

Como a gente é criança! Quando não creditamos a um simples olhar! Como a gente é criança!
Tínhamos ido a Wahlheim. As senhoras saíram na frente e, durante o nosso passeio, pareceu-me ver nos olhos negros de Carlota... Eu sou um doido, perdoa-me... Tinhas de vê-los, esses olhos! Para ser breve, pois estou caindo de sono, observe que quando as mulheres subiram ao coche estavam em volta dele o jovem W..., Selstadt, Audran e eu. Junto ao estribo elas palravam com os rapagões que, por certo, se mostravam bastante levianos e alegres. Busquei os olhos de Carlota... Ah, eles passeavam de um rosto a outro! Mas a mim, a mim... A mim, o único que estava ali só por causa dela, eles não se dirigiam! Meu coração dizia a ela milhares de adeuses! E ela não me olhava! O coche arrancou e uma lágrima brincou em meus olhos. Seguia-a com o olhar! E eis que vi assomar na portinhola o penteado de Carlota, que se voltava para me ver... Ah! Seria para mim? Meu caro! Debato-me nessa incerteza! E ela é o meu consolo. Talvez tenha se voltado para me olhar! Talvez... Boa noite! Oh, como eu sou criança!

Os sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang Goethe

domingo, 1 de setembro de 2013

Bom dia.

Uma cabeça vazia passou ontem, rolando de um lado a outro da rua, levada pelo vento que a televisão soprava. Se ao menos algum peso tivesse não tão fácil seria arrastada, mas lá vai ela, feliz ao perceber que não é solitária em sua jornada. Outras tantas rolam juntas ao vento que tranquilo comanda a expedição rumo a lugar nenhum.

sábado, 31 de agosto de 2013

De todos os lugares logrados para serem logradouros de si

O quarto reflete sem ser espelho. Mostra além da aparência superficial.
O quarto é fruto do silêncio extravagante que eu trago comigo.
O quarto é mais eu do que eu mesmo e sincero o suficiente pra isso.
Ele me expressa sem eu perceber que estou expressando.
Mas amanhã ele já volta a refletir o que pareço.

domingo, 25 de agosto de 2013

Resposta a ti

Para dormir, andorinha, ainda que cedo seja, tape os olhos escondendo-os da luz. Desligue as preocupações quanto a predadores e, se nada adiantar, tape os ouvidos internos, sobrepondo o silêncio à música da passarada. Se mesmo assim nada vier a efeito fazer, fareje o tempo e lembre que as horas, se deixá-las correrem, deixar-te-ão sem maiores apegos. Apaga-te e aprenda que nada paga ou repõe teus olhos fechados, tua mente onde deseja.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Livre o livro vive em Livramento.

"Se me perguntares como são as pessoas por aqui tenho de te responder: como em todo lugar! É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o poucochinho de tempo livre que lhe resta livra-se dele. Oh, destino dos homens!"


"Isso só fez fortalecer meu propósito de doravante me prender apenas à natureza. Só ela é infinitamente rica e só ela é que forma os grandes artistas. Pode-se dizer muito a favor das regras, mais ou menos tanto quanto se pode dizer para louvar as etiquetas da sociedade burguesa. Um homem que se forme seguindo-as, jamais produzirá algo falho de gosto e ruim. Da mesma forma que alguém que se molda segundo as leis e as boas maneiras jamais será um vizinho insuportável, ou um malvado digno de nota. Mas, em compensação, as regras, por mais que se diga algo em favor delas, destroem o verdadeiro sentimento da natureza e sua genuína expressão!"


     Os Sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang Goethe

domingo, 18 de agosto de 2013

Hipertenso

Não sou daqui e nem se fosse seria, não sou de onde sou e nem de onde seria se fosse. Em algum momento, em algum lugar do qual não pertenço, encontrei uma mulher que me disse que saiu de onde não era e se encontrou noutro lugar, ou em vários outros. O medo me tira a oportunidade de fazer o mesmo e me atirar nos lugares aos quais pertenço. Talvez um dia sem querer aconteça e então eu carta fora do baralho.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Será Ceará?

Fico esperando pelo dia em que vou estar descendo a Fernandes Vieira, voltando do trabalho normalmente e, de repente, alguém vai me parar e perguntar: "Tu não percebeu que tudo isso é uma pegadinha?" e eu, fingindo não saber, vou perguntar: "Isso o quê?" e a pessoa vai dizer: "A vida, é óbvio". Vou fingir surpresa novamente, ao mesmo tempo em que percebo que mesmo o meu fingimento é uma pegadinha. Nesse momento largarei minha mochila e antes que ela toque o chão, o toque do celular vai soar, avisando que estou atrasado pro trabalho, novamente.




segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pastando passou o cavalo pensando no pasto que pasta ao passar.

Cancela pra mim esses dois pedidos?
Estão atrasados, provavelmente frios.
Não conseguirei saboreá-los como desejei ao pedir.
Outro pedido?
Não, não, acabei comendo alguma coisa aqui mesmo.
No fim me satisfiz com algo não tão saboroso.
Tens razão, deveria ter reclamado antes.
Feito alguma coisa, afinal, eu queria tanto.
Deixa pra outra vida.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Paquiderme no parquímetro

Um outro homem morreu, antes do almoço, antes da primeira garfada, espetou-se com um osso entalado na goela. Morreu pela pressa de querer adiantar uma vida pacata, mordeu a galinha, engoliu o osso. Não havia explicação para tanta agitação, a vida é assim mesmo, mastigar é preciso. Vai ver achou que poderia ser mais amplo, fazer tudo que deseja em seus 60 minutos de almoço, mas quem sou eu pra dizer, quem poderia nos contar agora está morto, ora vejam só, foi tentar viver mais que o permitido.

domingo, 4 de agosto de 2013

Hambúrguer ambíguo, amigo meu

(...)
e horas são dias
que disse e diria
que decidiria o resto do resto
o acúmulo perpétuo
a vida alagada
interditada porque disse
em confissão
(...)

Rateio da postagem

Hoje comi um Milkway, acreditei em Deus, voltei a ser ateu, mas isso tudo não interessa.
A quinta parte de um terço, a quinta-feira aqui tão feia que hoje faz especialmente no sábado, mas isso tudo não interessa.
A parte chata de nascer a par de tudo que há de ser, a melhor parte que adia e ardia em algum lugar do norte.
Quanta coisa deixei de escrever porque não tive

terça-feira, 30 de julho de 2013

Bora Bora

Agora a hora passa e não cumprimenta, não pede licença, senta no meu lugar e come antes de eu chegar.
Agora a vida intensa me persegue e me aprisiona, cegando os olhos que operei semana passada, ou retrasada, ou mês passado, ou retrasado.
Agora o tempo não se importa e vira e mexe muda meu cabelo pra maior e eu percebo e praguejo, assim como as unhas que disparam dos dedos e eu só percebo ao me coçar.
Agora a roupa pra lavar forma montanhas que eu escalo mas não desfaço.
E a minha inatividade virou um café e um pão pra comer.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Penso propenso ao preço

A quarta agora aguarda audaciosa seu momento triunfante, é nela que se espelharão novos bordões por muitos esperados. Na sola da solidão de um calcanhar que caminha só, a quarta aguada ou ensolarada diferença não tem, mas ele sabe que, depois dela, talvez um vai e vem estonteante traga novas rotas, pisadas tortas, calçadas, botas. O medo que há tempos largou seu posto, reaparece no rosto ao ver que a quarta aparta um tempo de outro, e o novo, em suas virtudes e véus, esconde o rosto, fazendo o medo se fazer presente, descontente com tanto mistério. A quarta quarta a qual me falta traz outras vinte e quatro horas quaisquer, porém, previamente preenchidas de um sabor distante das insípidas horas passadas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Rolamos todos escada abaixo

Revivo, às vezes, sem muita precisão, um momento do passado. O cenário é uma casa de dois pisos com piscina e gente que eu não conheço bem, tem churrasco. Comi demais e entrei na piscina logo em seguida, isso me gerou forte dor de cabeça. Internamente me questiono do porquê de só eu ficar assim, sendo que os outros fizeram o mesmo e seguem normais. Já crio uma teoria da conspiração onde tudo em mim é mais frágil que o normal, parece que vem junto com a preocupação excessiva por mim imposta. O tempo passa e eu subo as escadas, chegaram mais pessoas, brincamos de brincadeiras que eu não estou habituado, estou desconfortável. Vou embora e o que me resta são queimaduras no roso e nos ombros.

sábado, 6 de julho de 2013

Pontas de uma ponte

Do lado errado, doloso, culposo, culpado. Caminho quieto e o caminho encurta o silêncio da passada, a cada ponto paro e olho nos olhos de quem nunca me viu e não voltará a ver, por não haver escolha, por não a ver mais. Cada passo aumenta a dor que há tempos deixou de significar algo físico, mas que se mantém ausente aos demais significados. Fisgados pelo tempo intransigente, compramos vida em jaquetas de outono, telas avantajadas. Espero da janela o tempo passar e virar passado, pesado, presente.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Salubre, salada, nos "ubre" da vaca.

A felicidade imposta, oposta à idade proposta para ser felicidade.
Teus cansados direitos, diretos, cruzados e risadas, temperos e roupas usadas.
Caminho devagar, a sola me dói e assola os passos antes firmes.

Saudades de sobrar um tempo.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Se clone fostes

Há um muro e há janelas, nelas por d'onde o sol entra, há pessoas e pelo menos pensamentos. Fomentos de sanidade na saudade de um momento de paz. Esquálido socorro aquele em que corro pra parada e o que nos espera é a noite, carregados e cansados somos entregues ao resto de um dia qualquer.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Cadavérica

Com vivo olho contigo, compartilho teus olhares, compreendo assim um sorriso meio de canto de olho. Mas que sentido tem esse semblante afastado? E que auxílio tenho eu no exílio que é a morte?
Tantos conceitos e certezas, sendo nenhum delas real. Ontem vi fotos de pessoas mortas, sentadas e ajeitadas, de olhos abertos e aquilo parecia normal. Cada época e o seu real.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Já não era o que sou na Era em que era pra ser o que se era.

A semana some e se assemelha à fome que eu venho não tendo. Por fim vejo que a gula engole meu ser e eu pago alto pra viver do que não preciso. É como acariciar uma parte do corpo afetada pela hanseníase, não faz diferença. Quanto tempo dura a descoberta? Quanto tempo a gente se engana? Uma vida inteira? Tudo tende e se estende mais do que devia. "Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar depois que me encontrar".

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Car e Caturas

Pra que precisar? O preciso é tão apático, tão previsível. O humano é a própria imprecisão, se fosse preciso  acabaria com tudo só pra ter o que quer. Se fosse preciso seria como a natureza determinou e a natureza sim é precisa. Não preciso de nada preciso, mesmo precisando.

Vai levando enquanto ando, levantando a sacola plástica, é o vento, vem vindo anunciando seu mais novo evento. O vento vem de longe, vende a vida a troco de nada, leva o pólen que semeia a planta, planta a vida onde há planta morta. O vento levou um fio de cabelo meu, sem eu pedir, sem meu querer, mas o que queria eu?

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ri de mim enquanto ridimuinho

Estou cansado, vou me deitar. Dizem que o tempo que cura o corpo enquanto durmo, envelhece o mesmo enquanto respiro.
Inclusive, venho respirando muito pela boca, enquanto durmo, enquanto envelheço.
Inclusive, venho tendo mais rinite, por respirar pela boca, enquanto durmo, enquanto envelheço.
Inclusive, venho tendo chiado no peito, por conta da rinite, por respirar pela boca, enquanto durmo, enquanto envelheço.

Em velho, em si, envelheço.

sábado, 18 de maio de 2013

Consome costumes costurados

Perdoe minha perda, meu medo, minha distância, substância descarada da minha vontade de não estar. Evito e vi tu passar, mas ando tão cansado de passar também, de pensar tão bem nos detalhes do teu rosto. Encosto no encosto que a cadeira me dispõe e penso que se um dia o dia chega, que não demore, que não se deixe parar, que não se atrase e eu não perca a viagem que a vida ainda há de me dar. Admirar o quão diferente é do pensar ao ser, tropeçar por querer e dormir, cair no sono do abandono.

Ao resto espero o que resta de um final de um dia, onde o sorriso é público e a visão serena.

Fizera a reza?

Fiz mal ao fazer bem feito.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ditatorial de tattoo legal.

Eufórico e asmático, andando por aí sem "bom dia" e coisa e tal, não liga pra polícia nem vicia em algo tão banal quanto o programa de TV. Quem vê não pensa, porque aqui ninguém pensa, aqui todo mundo age, de agenda cheia, correndo pro cinema antes do fim dos trailers, antes da fila se formar, antes do cara te roubar, antes da vida se acabar. Sentido raro sentir saudável, sentir vivo, molusco ou alga n'água que varre qualquer outro pensamento não direcionado.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Convence a conveniência a deixar seu posto e mostrar partes do rosto.

É como estar lambendo os dedos sujos de chocolate e se perguntar "eu lavei as mãos?".
Se eu tivesse de me atirar de algum lugar, escolheria um lugar alto, alto o suficiente pra eu poder curtir a queda. Que reflexões será que acontecem quando se está caindo por vontade própria? Cada situação uma questão e com a velocidade que nosso cérebro tem para processar pensamentos, uma queda de uns 7 segundos pode gerar várias divagações. O que é muito estranho, pensar em curtir pensamentos quando se decide pular de um lugar alto por desistir de ter de pensar, porque sim, ao desistir de uma coisa levamos todas as relacionadas junto. Pensei isso enquanto estava na sacada aqui do 5º andar, pensei também que tudo é liberdade, nosso sistema fechado, trancando tudo o que pensamos que temos, morrer é só uma outra forma de sair do sistema. A gente chama de covardia essa desistência, mas aqui não se vence.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Send the sand to an end.

Se a mente amante aumente com o tempo e se alimente de sentimentos sedentários, seria, pois, contrários à evolução certos movimentos estacionários?
Se ria sem motivo, parada na parada para dar "par" a um jogo de mãos que definiria quem ganharia. Ímpar deu o que em par seria o fim.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Uni versos para Lelo

Compartilho cá minha sincera vontade de fugir para Papeete. Correr até o Chile, pegar um barco qualquer e remar até lá. Conheci Papeete há uns 6 anos enquanto passava os olhos pelo Google Earth, desde então virou meu refúgio mental. Nem parece ser o melhor lugar do mundo, só me parece longe o suficiente.











Se um dia eu sumir, fui pra lá.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Diz "torce", o que eu digo.


Tu fo
     gesticulando le
                     trazendo à ton
                                   à toa, tua mágoa incompreen.
          De ida busco o ca
                            roubo a cena, num cine
                                                  mas mudo, me ca
                                                                     logo que de novo te vejo;

terça-feira, 23 de abril de 2013

Li Mitz, pequeno pra quem impõe, gigante pra quem obedece.

Assintoticamente falando, que limites tem tua mente? De mente sei muito pouco, de gente quase nada e nada a mente nesse vasto rio de mentes com limites de lentes alienadas, deleite da surpresa de leite alimentada.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Às de costas

Tem gente que germina o gim, que o fim não chega, que chegada a hora, chora, que deitado à noite, sonha, que dorme e acorda. No grito contigo contido, contado a si mesmo, guardando o som do movimento que a onda, sem querer, levou e lavou. Levou tempo pra perceber os dois lados da história, onde a gente normalmente toma pelo certo apenas um, o mais barato, o de melhor alcance das mãos, o de interesses alheios.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Percepção pela quantidade

Quem lê interpreta, isso porque não vê também, só lê. Quem lê usa de todos os artifícios apresentados para interpretar da "melhor" maneira. Quem lê sabe que alguns padrões foram criados ao longo do uso da escrita, como as letras maiúsculas que indicam alteração na voz, ASSIM. Quem lê, então, interpreta. Pois bem, um dos fatores que muito influenciam na percepção via leitura é a frequência na qual aparecem determinados símbolos e até mesmo a falta deles. Hoje, ao preencher uma planilha compartilhada com uma determinada empresa, adicionei num dos campos a seguinte sequência de símbolos "??", indicando a falta do item daquele campo e questionando qual era seu devido teor. Agora você, leitor assíduo, que conclusão tiraria disso? Eu não sei qual foi a conclusão da empresa, imagino que sequer viram, porém, imaginei que isso poderia ser interpretado como: "que audácia! Exigindo essa informação de forma agressiva". Meus dois pontos de interrogação remetem a uma impaciência por conta da não existência do valor, de repente se fosse um, até seria mais ameno. No caso de três, aí sim, a coisa estaria passando dos limites. O mesmo acontece com o ponto de exclamação e etc. O grande detalhe foi eu não ter pensado na percepção, só após o feito. Percebi também que estamos apegados a cada mínimo detalhe, tudo faz uma diferença incrível, é uma fina linha entre o ser e o não ser, o estar e o não estar. Criamos um mundo de detalhes mal interpretados.

domingo, 14 de abril de 2013

Mudando de assunto

Finalizou e nada mudou, o dia segue igual, não interessa o que aconteceu. Ontem a graduação, hoje a louça pra lavar, é irrelevante achar que a realidade muda quando uma palavra se adiciona à formação. Quem muda somos nós, e nós mudamos a realidade, mudar-me-ei de cidade, por vontade própria, porque mudei ao colar grau, porque agora sonho com outra coisa que não o mesmo. Muda em mim que mudo o resto e o mudo em mim agora fala, se expressa e canta. Muda o mundo, o mudo miúdo.

domingo, 7 de abril de 2013

É tudo

A gente vive pra si, pelo menos a grande maioria. Para pra refletir e nossos grandes sonhos envolvem apenas nós mesmos, o todo, o resto, não interessa. Mas cansei disso, desse egoísmo apoiado por todo mundo, do egoísmo correto de ter. Construindo seu futuro. Essa é a nossa realidade vazia, pensa bem, ou nem pensa, procura argumentos pra levantar o seu prêmio de correto. Parabéns é tudo SEU.

Parede ler

E rei quando não podia e rara a situação que se aplica.
A vida do mais fácil, da pressa. Depressa! Pare de ler e se despeça.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A história da bolachinha

A vida se mostra de diferentes tamanhos e contextos, acompanhemos esta trise história que segue:

Certo dia, como outro qualquer, estava eu a fazer algo sem grande importância quando repentinamente lembrei que haviam bolachinhas recheadas no armário. "Ora pois, vou lá pegar", pensei. Ao chegar, encontrei a bolachinha de minha preferência, porém, antes de abrir e comer, pensei: "não estou com fome realmente, isso é fruto de uma gula qualquer, vou esperar mais um pouco e logo volto e como". Nesse momento todo mundo já sabe o desfecho. Bom, por algum motivo foi necessário que eu saísse de casa por algum tempo, ao retornar e entrar na sala, encontro nada mais nada menos que o pacote da bolachinha vazio ao lado da Fernanda que comeu tranquilamente.

Moral da história, perdi de comer a bolachinha que eu queria. Mas isso vai além dessa situação, a vida é assim, nem sempre achamos que estamos realmente preparados para algumas situações, porém, ao aguardar, algo que seria perfeitamente bom, pode nunca mais haver uma outra chance. Parece ruim, mas é a realidade, a Fernanda não pensou se eu gostaria de comer AQUELA bolachinha, foi lá e comeu. Na vida a coisa acontece da mesma maneira.

Quantas moedinhas tu tens?

"Onde quer que tenha chegado ao poder, a burguesia destruiu todas as relações feudais, patriarcais, idílicas. Estilhaçou, sem piedade, os variegados laços feudais que subordinavam o homem a seus superiores naturais, e não deixou subsistir entre os homens outro laço senão o interesse nu e cru, senão o frio 'dinheiro vivo'."

           Manifesto do Partido Comunista - Marx & Engels

domingo, 31 de março de 2013

Mais um ou dois.

A construção da beleza em uma música, em quatro linhas discretas, não retas, de certas, desertas.


"Quando a tarde cai onde o meu pai
Me fez e me criou
Ninguém vai saber que cor me dói
E foi e aqui ficou"


sexta-feira, 29 de março de 2013

"Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades."
                             
                               Manoel de Barros

No que sigo o meu caminho e no ar que fez que assisitiu

Meu dever de ver o que eu devia deve ter duvidado da devida tarefa. Desperta de espertas decisões os movimentos precisos de uma jogada de xadrez, talvez de sucesso.


terça-feira, 26 de março de 2013

Passar o arado no passado

HEINRICH GRESBECK

     Talvez Deus não seja católico, talvez não seja protestante, talvez não seja senão o nome que tem.

HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Que fazemos nós aqui, então?

HEINRICH GRESBECK

     Aqui, onde? Em Münster?

HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Na terra.

HEINRICH GRESBECK

     De certo modo, nada, de certo modo, tudo.
     O nada é feito de tudo, mas o tudo é igual a nada.

 HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Sendo assim, todos os nossos actos são indiferentes, todos valem o mesmo.

HEINRICH GRESBECK

     Sim, todos valem o mesmo.
     Nada.


. . .


 
 HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Não há, pois, outro Diabo senão o homem, e a terra é o lugar do inferno.



                         IN NOMINE DEI - José Saramago

 

quinta-feira, 14 de março de 2013

While it all still happens to someone else that does not start singing in the plane

Na realidade não sei a real realidade em que me meti, ando por aí, olho para os lados ao atravessar, a vida passa de manhã cedo, ainda frio. Mas o que eu realmente estou vivendo é algum artifício do desconhecido, é como se uma névoa me envolvesse de forma que não consigo enxergar nada, de fato. Em todo caso sigo caminhando, vá que uma hora passe, talvez duas e a névoa se espalhe. Comigo uma tranquilidade incomum, enxergo a vida mais simples de alguma forma, minha preocupação é seguir assim, sem maiores dependências, aprendi a não esperar e tudo mais. Porém, como sou normalmente uma contradição sem tamanho, amanhã ou depois posso ser o contrário. Blame me for all that stuff.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Cor de olheira

Das fronteiras de um corpo a outro, das repúblicas escondidas, das façanhas mascaradas, não divididas. Das ainda vidas vindas divididas, endividadas com seu país de origem, orça no remorso o olhar dos que em mente apedrejam, de quem mente, no abraçar, os 'adeus' e 'até jás'. Ir embora, embora ainda muitos fiquem, finquem, filhos de um chão só.

sábado, 2 de março de 2013

Velhas guardas

Depois do almoço eu sento/deito no sofá, coloco no CNNe com o objetivo de aprender, apenas escutando, espanhol. Entendo uma coisa aqui outra ali, mas o interessante é que repentinamente durmo, durmo e só percebo que dormi uns 15 minutos depois, quando acordo. Forço pra tentar lembrar em que momento iniciei o sono, mas não tem jeito. Tenho a impressão que qualquer dia vou começar a dormir e acordar noutro dia, noutro lugar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Composição de compotas de vidro.

Do lado de fora da cabeça que pensa, que cansa de densa, que dança e derrete, no sol que adverte o calor que te chama. A água da lagoa refresca tua pele endividada de cor, condenada a beleza eterna, ela sorri como se não fosse com ela. A fuga do olhar mergulha a nadar na imensidão dos teus cabelos dupla cor.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Me deixem dormir

Percebi que não sirvo pra internet, ou para o propósito social dela. Não consigo ter a paciência necessária para uma conversa num chat qualquer, nem pra construir uma imagem bacana e chamativa, nem pra coisa alguma. Canso e me arrependo de pensar sobre. Ultimamente evito, meu mundo real parece mais seguro, por mais ignorante que isso possa parecer. Acho que só envelheci, mas nem sou tão velho assim, talvez a coisa só não seja pra mim.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

"Darwin" agora é pra valer, eu fiz o meu melhor, mas a evolução me tirou do páreo

Era uma vez o Antônimo, o Antagônico e o Anti, ao perceberem que andavam juntos, cada um tomou um caminho diferente. Fim da história.

A madrugada amargurada amarga os lábios ao sabor da carqueja. O que deseja realmente é um copo d'água do rio que não pode beber, se embriagar, afogar e morrer. Mas lá vem o sol, manda ela embora proutros campos, proutras vidas e ela em busca d'água, embaixo d'alma que necessita mas nem sabe o porquê. Sempre existe um rio longe demais da boca sedenta.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A sorrir eu pretendo levar a vida

Meu tempo dedicado às minhas obrigações, este sou eu vivendo sem questionar, grande perigo se o fizer. Em todo caso, não me sinto mal, nem pior, nem meramente irrelevante, o sentido que eu não questiono me proporciona algo mais. A gente vive de recompensas, por colocar 'm' antes de 'p' e 'b', formando assim um ótimo estilo musical surgido na década de 1960. A felicidade se consegue ao descobrir quando abrir ou fechar os olhos, tudo uma questão de momento, uma questão de questionar ou não. De decidir pelo certo social ou pelo certo pessoal, que na verdade vem a ser bem parecido um do outro. Agora vou dormir, amanhã preciso abrir os olhos pra fechá-los e seguir trabalhando. Devagarinho uma fase vai se terminando.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A caixa

Ao abrir os olhos, BUM, dentro da caixa. Bom dia, diz a mãe, Bom dia, diz o pai. Café da manhã fresquinho, um pão aquecido e o tempo de ficar em casa já pela hora de findar. Abre a porta e, BUM, dentro da caixa. Bom dia, diz o vizinho, Bom dia, diz a vizinha, lambidas, diz o cachorro. O carro sai, as ruas vêm. Ao entrar no trabalho, nem preciso dizer... dentro da caixa. Bom dia, diz ao chefe, Olá, à secretária. A caixa e seus limites de caixa.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

At estado

Diz dizer o que contradiz, mas fiz tudo ao contrário do que eu disse. Certezas na certa acertadas pela dúvida de serem induvidáveis.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

“VOCÊ É NOSSO MELHOR CLIENTE, MAS, POR FAVOR, NÃO O VÁ DIZER ISSO AO SEU VIZINHO”

- Mas e o que somos nós, você e eu, clientes de um mercado eterno?
- Tudo bem, senhor João Paulo, posso então confirmar o pagamento para a próxima segunda-feira, dia 21?

Nem foi assim, nem vai ser.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Lembranças En la Corte, de Lunes a Viernes de 17 a 23 hs.

A vida tem dessas coisas e outras e ostras e um mar inteiro de conchas. Com chás e solo em fá, enfadonho seria sentar e beber ou tocar.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ctrl + lado

Um texto em branco, inapropriado dizer 'uma mente vazia'.
J
 Os retratos falados do que nem sempre é dito, escrito ou melhorado.
Á
 Me lembro ainda ontem do hoje que seria.
N
 Comprida promessa a se cumprir, a de calar a si.
Ã

O

Me Importa

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Descendo as Corredeiras

Por que tanta pressa, oh! Ser humano? Se ser humano é tão natural. Engole o cachorro quente e corre pro expediente que hoje o dia vai ser longo. Que medo de ser humano, descer um ano na escala de viver só pra correr assim, só pra olhar pra mim, que ando tão devagar, e mostrar que essa corrida eu já perdi. Nessas histórias de tartarugas e lebres, a lebre não dorme, tem insônia e toma remédios faixa preta, ser humano é tão desigual, tão animal, tão normal.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A si estou ligado ligeiramente desfeito

Contemplo a colina com tempo, contando caminhos com tantos contos.
A beleza dita da natureza e conceituada por nós, não tem explicação, ela ali, simplesmente é, não busca ser mais ou menos bela.
Ao assistir e refletir, não encontramos sentido pra essa vida que levamos, a natureza ali, tão bela, nos chamando pra levar a vida com ela, ganha num jogo desigual onde o concorrente é uma sequência de obrigações banais, a prisão da visão.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Haver dá de ser

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco"

Memória de minhas putas tristes - Gabriel García Márquez


Nesse nosso mundo atual, onde toda a aparência vale mais do que a substância do que realmente se é e pensa, esse livro traz um personagem que, ao completar seus noventa anos, se apaixona e talvez por já ter a idade que tem e saber que não lhe resta tanta vida, se sente livre pra ser o que se é e dizer o que bem pensa. Ninguém é igual a ninguém, não sou nem penso do modo como ele descreve a si mesmo, mas também não sou tudo o que pareço e faço parecer, muito é conveniente social e quem negar isso só vai estar fazendo a sua própria aparência. Viver em sociedade é isso, submeter-se aos seus padrões pra sobreviver, viver uma vida inteira mentindo pra si e para os outros, ninguém disse que era fácil. Esse texto permite bastante julgamento na nossa cultura, algo que virou comum, o velho apontar o dedo, falar sem entender, sem saber, tirar as conclusões por si próprio. Eu entendo e acho que, já que somos criados pra isso, que façam, talvez em outra cultura isso fosse condenado, juntamente com a aparência e tudo mais. Às vezes eu entro na dança, às vezes sinto repulsa disso tudo, faz parte.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Acordei, saí na sacada e senti as dores da minha existência, pensando ser tudo que eu tinha, sozinho na minha solidão. Dez minutos depois, olhei pra mim como um mero vazio existencial, um egoísta ridículo, percebendo a proporção ínfima das minhas dificuldades. Como ficar alheio ao sofrimento alheio? Agora eu sei o que são as reais dores.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Amor te pede passagem

Assim, diminuindo fontes, aumentando sombreados, a vida discorre em pequenos erros de português, erros de viver. Mas que erros são se o errado não existe? Ah, mas não existe numa camada acima desta na qual nos encontramos, cá onde estamos existe sim, todo mundo sabe! ... e todo mundo julga, juízes que antes pensavam diferente, onde o crime era outra coisa que não essa ou aquela, uma questão de maquiagem judicial. Aqui a gente erra e adianta a morte, que no fim se trata do grande erro da vida, se ninguém morresse, quem seria o erro?

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lei Tura

Eu poderia fazer download de todos os livros que eu quisesse ler, mas a leitura não se limita a um único sentido. A visão, sozinha, pode nos fornecer o básico, o suficiente, mas sem o complemento essencial do tato e do olfato, vira algo superficial, quase como uma obrigação. Prefiro não achar e querer comprar o livro a baixar e ler em frente ao computador. E qualquer um pode dizer o contrário e vai estar correto.

Calhou de assim ser

Não há como fugir do conhecimento, a todo instante com ele temos contato, não é diferente comigo. Ultimamente tenho tido a oportunidade de aprender diversas coisas, seja por fruto da minha curiosidade ou pelo simples acaso. Descobrir, no sentido de tirar a camada protetora, a minha ignorância, mostrá-la a mim mesmo e mandá-la embora. Nisso tudo, se tiram as velhas conclusões, normalmente esquecidas com o passar do tempo, muito pouco eu sei, muito pouco ainda virei a saber. Ultimamente a cultura vem me chamando a atenção e assistindo um programa chamado Além Mar, tenho tido a oportunidade de conhecer os costumes dos demais povos do planeta colonizados por portugueses. Tudo é de um valor imenso do qual me incomoda não estar mentalmente preparado para comentar.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tchau

Me engano pensando que pensar é engano, mas no fim das contas ando cansado de pensar, farto dos lugares por onde o pensamento me leva e das suposições que faz. Criando novas teorias vazias, sobre coisas sem importância. Cansei de escrever e de ler, vou dormir.

domingo, 20 de janeiro de 2013

A manhã ser

A manhã azul escuro, fechada pra qualquer conversa, me deixa livre pro passeio sem compromisso, sem  muita reflexão, o frio que faz, que vem em minha direção, deixa tudo mais bonito, o caminho parece infinito e sem volta. Duas, três, quatro voltas e quase ninguém, a cidade me pertence tanto quanto minha respiração, solto as mãos do guidão e tenho a liberdade momentânea.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A solidão de ser o que se é.

Clemente

Como posso assim ficar parado, empossado de uma atitude não posta em prática, sem resposta por falta de ação. Há dias são ditas frases soltas, comida às moscas, olhares sem direção. Diriam ser, mas quem diria, já vem lá outro dia, assim como o esperado, desesperado pelo diferente, atento, presente.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Gandaia das ondas

Por onde andam as ondas onde ontem mergulhei?
Onde ando ainda mergulhado, confuso, molhado.
Odiando ondas onde errei ou direi errado,
onde fui a nado, onde nada um dia serei.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Em pulso

"Ia Jesus por um caminho no campo quando sentiu fome, e vendo ao longe uma figueira com folhas, foi ver se nela encontraria alguma coisa, mas, ao chegar ao pé dela, não encontrou senão folhas, pois não era tempo de figos. Disse então, Nunca mais nascerá fruto de ti, e naquele mesmo instante secou a figueira. Disse Maria de Magdala, que com ele estava, Darás a quem precisar, não pedirás a quem não tiver. Arrependido, Jesus ordenou à figueira que ressuscitasse, mas ela estava morta."

todo mundo sabe de que livro é. Sinto saudades desde já.

Nada muda o futuro

Se encaminhava para mais um dia vazio, foi quando olhei pro relógio e percebi que tinha razão.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Diz o honesto

A presa presa pela presa do destino, apresentando resistência, foi questionada:
- A pressa impressa pressiona e apressa a presa?
- Evidente, visto que vidente não sou, sendo assim, quando te apresentas me apavora.
- Aprecio tua sinceridade, pero, no más, no te puedo ayudar.
Ao que o destino, nada flexível, fez o que tinha de fazer, sentenciando à pobre presa a prisão do esquecimento.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Coentro

A natureza não respeita teus planos.

Gosto do gosto que a tua boca deixa em mim.

Todo temporal necessita de uns primeiros pingos de chuva.

Será que é assim que se diz, que se fala, que se contradiz?

De mim não esperem nada pois me atraso com frequência.