domingo, 31 de março de 2013

Mais um ou dois.

A construção da beleza em uma música, em quatro linhas discretas, não retas, de certas, desertas.


"Quando a tarde cai onde o meu pai
Me fez e me criou
Ninguém vai saber que cor me dói
E foi e aqui ficou"


sexta-feira, 29 de março de 2013

"Meu fado é de não entender quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades."
                             
                               Manoel de Barros

No que sigo o meu caminho e no ar que fez que assisitiu

Meu dever de ver o que eu devia deve ter duvidado da devida tarefa. Desperta de espertas decisões os movimentos precisos de uma jogada de xadrez, talvez de sucesso.


terça-feira, 26 de março de 2013

Passar o arado no passado

HEINRICH GRESBECK

     Talvez Deus não seja católico, talvez não seja protestante, talvez não seja senão o nome que tem.

HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Que fazemos nós aqui, então?

HEINRICH GRESBECK

     Aqui, onde? Em Münster?

HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Na terra.

HEINRICH GRESBECK

     De certo modo, nada, de certo modo, tudo.
     O nada é feito de tudo, mas o tudo é igual a nada.

 HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Sendo assim, todos os nossos actos são indiferentes, todos valem o mesmo.

HEINRICH GRESBECK

     Sim, todos valem o mesmo.
     Nada.


. . .


 
 HANS VAN DER LANGENSTRATEN

     Não há, pois, outro Diabo senão o homem, e a terra é o lugar do inferno.



                         IN NOMINE DEI - José Saramago

 

quinta-feira, 14 de março de 2013

While it all still happens to someone else that does not start singing in the plane

Na realidade não sei a real realidade em que me meti, ando por aí, olho para os lados ao atravessar, a vida passa de manhã cedo, ainda frio. Mas o que eu realmente estou vivendo é algum artifício do desconhecido, é como se uma névoa me envolvesse de forma que não consigo enxergar nada, de fato. Em todo caso sigo caminhando, vá que uma hora passe, talvez duas e a névoa se espalhe. Comigo uma tranquilidade incomum, enxergo a vida mais simples de alguma forma, minha preocupação é seguir assim, sem maiores dependências, aprendi a não esperar e tudo mais. Porém, como sou normalmente uma contradição sem tamanho, amanhã ou depois posso ser o contrário. Blame me for all that stuff.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Cor de olheira

Das fronteiras de um corpo a outro, das repúblicas escondidas, das façanhas mascaradas, não divididas. Das ainda vidas vindas divididas, endividadas com seu país de origem, orça no remorso o olhar dos que em mente apedrejam, de quem mente, no abraçar, os 'adeus' e 'até jás'. Ir embora, embora ainda muitos fiquem, finquem, filhos de um chão só.

sábado, 2 de março de 2013

Velhas guardas

Depois do almoço eu sento/deito no sofá, coloco no CNNe com o objetivo de aprender, apenas escutando, espanhol. Entendo uma coisa aqui outra ali, mas o interessante é que repentinamente durmo, durmo e só percebo que dormi uns 15 minutos depois, quando acordo. Forço pra tentar lembrar em que momento iniciei o sono, mas não tem jeito. Tenho a impressão que qualquer dia vou começar a dormir e acordar noutro dia, noutro lugar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Composição de compotas de vidro.

Do lado de fora da cabeça que pensa, que cansa de densa, que dança e derrete, no sol que adverte o calor que te chama. A água da lagoa refresca tua pele endividada de cor, condenada a beleza eterna, ela sorri como se não fosse com ela. A fuga do olhar mergulha a nadar na imensidão dos teus cabelos dupla cor.