terça-feira, 30 de julho de 2013

Bora Bora

Agora a hora passa e não cumprimenta, não pede licença, senta no meu lugar e come antes de eu chegar.
Agora a vida intensa me persegue e me aprisiona, cegando os olhos que operei semana passada, ou retrasada, ou mês passado, ou retrasado.
Agora o tempo não se importa e vira e mexe muda meu cabelo pra maior e eu percebo e praguejo, assim como as unhas que disparam dos dedos e eu só percebo ao me coçar.
Agora a roupa pra lavar forma montanhas que eu escalo mas não desfaço.
E a minha inatividade virou um café e um pão pra comer.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Penso propenso ao preço

A quarta agora aguarda audaciosa seu momento triunfante, é nela que se espelharão novos bordões por muitos esperados. Na sola da solidão de um calcanhar que caminha só, a quarta aguada ou ensolarada diferença não tem, mas ele sabe que, depois dela, talvez um vai e vem estonteante traga novas rotas, pisadas tortas, calçadas, botas. O medo que há tempos largou seu posto, reaparece no rosto ao ver que a quarta aparta um tempo de outro, e o novo, em suas virtudes e véus, esconde o rosto, fazendo o medo se fazer presente, descontente com tanto mistério. A quarta quarta a qual me falta traz outras vinte e quatro horas quaisquer, porém, previamente preenchidas de um sabor distante das insípidas horas passadas.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Rolamos todos escada abaixo

Revivo, às vezes, sem muita precisão, um momento do passado. O cenário é uma casa de dois pisos com piscina e gente que eu não conheço bem, tem churrasco. Comi demais e entrei na piscina logo em seguida, isso me gerou forte dor de cabeça. Internamente me questiono do porquê de só eu ficar assim, sendo que os outros fizeram o mesmo e seguem normais. Já crio uma teoria da conspiração onde tudo em mim é mais frágil que o normal, parece que vem junto com a preocupação excessiva por mim imposta. O tempo passa e eu subo as escadas, chegaram mais pessoas, brincamos de brincadeiras que eu não estou habituado, estou desconfortável. Vou embora e o que me resta são queimaduras no roso e nos ombros.

sábado, 6 de julho de 2013

Pontas de uma ponte

Do lado errado, doloso, culposo, culpado. Caminho quieto e o caminho encurta o silêncio da passada, a cada ponto paro e olho nos olhos de quem nunca me viu e não voltará a ver, por não haver escolha, por não a ver mais. Cada passo aumenta a dor que há tempos deixou de significar algo físico, mas que se mantém ausente aos demais significados. Fisgados pelo tempo intransigente, compramos vida em jaquetas de outono, telas avantajadas. Espero da janela o tempo passar e virar passado, pesado, presente.