sábado, 28 de setembro de 2013

Le chat est noir

A chuva me toca
e me chuva
e eu chuvo
e ela chora
A chuva achava
e me chove
e eu choro
e ela curva
A chuva a chave
e mexia
e eu
chato
ignoro
.

sábado, 21 de setembro de 2013

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Até eu.

Em nossos momentos mais arrogantes, o pecado do orgulho - ou superbia, na formulação em latim de Agostinho -  domina nossas personalidades e nos isola daqueles ao redor. Perdemos o interesse pelos outros quando tudo o que procuramos fazer é afirmar o quanto as coisas estão indo bem para nós, da mesma maneira que a amizade só tem chance de crescer quando ousamos compartilhar aquilo que tememos e lamentamos. O resto é mero exibicionismo.

Religião para Ateus -  Alain de Botton

domingo, 15 de setembro de 2013

Nem tudo eco mo pareces.

Deixa acumular, pra amanhã, pra mais tarde.
Segunda, sem falta, na quarta começo.
Mas deixa, tanto faz, essa louça amanhã de manhã eu lavo.
Esse quarto eu varro, esse banheiro eu limpo.
Essa conta eu já não paguei?

Gastei, vivi, me endividei.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Quem sois vós?

Dorme o pobre rapaz cansado, derrotado por mais um dia. Deitado como pode, deixado a esmo e mesmo assim dorme. O sol já vem lhe alcançando o pescoço e logo será forçado a acordar, a parada que abriga não consegue deter o calor intruso. Mais um dia vem aí, onde nem dormir é certo, pois esse colchão remendado a qualquer momento pode ser retirado, nisso ele não pensa, só dorme, não importa o que aconteça.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Como eu sou criança

08 de julho

Como a gente é criança! Quando não creditamos a um simples olhar! Como a gente é criança!
Tínhamos ido a Wahlheim. As senhoras saíram na frente e, durante o nosso passeio, pareceu-me ver nos olhos negros de Carlota... Eu sou um doido, perdoa-me... Tinhas de vê-los, esses olhos! Para ser breve, pois estou caindo de sono, observe que quando as mulheres subiram ao coche estavam em volta dele o jovem W..., Selstadt, Audran e eu. Junto ao estribo elas palravam com os rapagões que, por certo, se mostravam bastante levianos e alegres. Busquei os olhos de Carlota... Ah, eles passeavam de um rosto a outro! Mas a mim, a mim... A mim, o único que estava ali só por causa dela, eles não se dirigiam! Meu coração dizia a ela milhares de adeuses! E ela não me olhava! O coche arrancou e uma lágrima brincou em meus olhos. Seguia-a com o olhar! E eis que vi assomar na portinhola o penteado de Carlota, que se voltava para me ver... Ah! Seria para mim? Meu caro! Debato-me nessa incerteza! E ela é o meu consolo. Talvez tenha se voltado para me olhar! Talvez... Boa noite! Oh, como eu sou criança!

Os sofrimentos do Jovem Werther - Johann Wolfgang Goethe

domingo, 1 de setembro de 2013

Bom dia.

Uma cabeça vazia passou ontem, rolando de um lado a outro da rua, levada pelo vento que a televisão soprava. Se ao menos algum peso tivesse não tão fácil seria arrastada, mas lá vai ela, feliz ao perceber que não é solitária em sua jornada. Outras tantas rolam juntas ao vento que tranquilo comanda a expedição rumo a lugar nenhum.