domingo, 27 de outubro de 2013

Das sutilezas do dilúvio

Por trás de quem mora o segredo de estar bem? Físico e mental nunca satisfeitos, uma eterna discórdia. 2 jatos em cada narina/ 3 meses. 1 comprimido/noite/20 dias. O físico parece mais fácil de lidar, mas ele sempre se compadece do mental e vai junto.

Fechar sem salvar

"Com licença"

A arte tem um papel a desempenhar nessa manobra da mente sobre a qual, não por coincidência, a própria civilização está fundada, pois as avaliações pouco solidárias que fazemos de outras pessoas em geral são resultado de nada mais que o hábito sinistro de olhar para eles da maneira errada, através das lentes embaçadas pela distração, pela exaustão e pelo medo, o que nos cega para o fato de que são, na verdade e apesar de  mil diferenças, apenas versões alteradas de nós mesmos: seres frágeis, inseguros e imperfeitos que também desejam amor e têm uma necessidade urgente de perdão.

Religião para ateus - Alain de Botton

A vida

A vida é nada mais que um motor ligado misteriosamente, que não sabe exatamente o lado que deve correr, mas corre e luta sem saber por que. Quem me contou isso foi a barata na cozinha, correu, correu, por fim ainda escapou de uma chinelada teleguiada. A vida dentro dessa barata é a mesma minha, a luta dela pra seguir vivendo não tem a mínima explicação, assim como a minha, mas o caso dela é que ela não pensa além do instinto. Instinto, nada mais que o combustível da vida, mas e quem é esse cara? Por que diabos nos diz pra correr desse jeito? A vida da barata, cara ou barata, cara ou coroa, é só mais uma vida dentre tantas outras que se vão uma hora outra sem qualquer explicação do porquê do tanto correr.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

domingo, 20 de outubro de 2013

Perene

Irene by Rodrigo Amarante on Grooveshark

Sobreviveu ao ócio

Canso
Ganso n'água, manso
Ensopado até as penas do que não pertence

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2º ato

O primeiro deu errado.

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Comam do mais puro fel de seus anseios
Tudo que havia de bom já foi consumido pelo ego
Nego mas também provo, prova disso é isto
História pra boi dormir, e já está mesmo tarde.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Toujours la même chose.

Um sorriso falso, uma pessoa estranha, um passo em falso, um olhar desatento. A conversa folhada exaltando tudo que é meu, minha dor, minha glória. Hoje, do lado de fora, são todos iguais, se mostrando o que a priori não se deixava mostrar. Cada gesto maluco, atitude sem jeito, efeito ou manobra, tudo mostra um defeito igual. E o lado de dentro, bom espelho que é, sem ao menos perceber reflete, se tornando o que são se é que já não era.

Objetos sem objetivo, objeções obtusas, obter obter obter obter obter obter opter opoter o poder.

We're nothing but mirrors looking at other mirrors.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O vão

O vão da casa deixa o vento passar
a chuva também, mofa móveis, esfria a casa.
Cada vez que molha, o dono lembra de fechar o vão em vão,
porque, como de costume, o vão logo se abre.
Pelo vão se enxerga quase toda a casa.
O dono às vezes acha isso bom,
o vão deixa tudo mais natural,
o ar da manhã entra, a casa respira.
Mais uma vez, lá vai o dono consertar o vão,
fica a dúvida sobre quanto tempo vai durar.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

ii. Como somos ensinados
1.
Reformar a educação universitária segundo os insights  obtidos da religião envolveria ajustar não apenas os currículos, mas também, e de maneira igualmente crucial, o modo como se ensina.
   Em seus métodos, o cristianismo tem desde o início sido guiado por uma simples mas essencial observação, que, não obstante, jamais causou qualquer impressão naqueles que comandam a educação secular: a facilidade com que esquecemos as coisas.
   Seus teólogos sabem que nossa alma sofre daquilo que os antigos filósofos gregos chamaram de akrasia, uma desconcertante tendência a saber o que deveríamos fazer combinada com uma persistente relutância em de fato fazer, seja devido à falta de força de vontade ou à distração. Todos temos consciência de que nos falta força para agir apropriadamente em nossa vida. O cristianismo representa a mente como um órgão indolente e inconstante, fácil de impressionar, mas sempre inclinado a alterar seu foco e deixar as responsabilidades de lado. Por conseguinte, a religião propõe que a questão central para a educação não é como neutralizar a ignorância - como sugerem os educadores seculares - mas como combater nossa relutância em agir de acordo com ideias que já compreendemos inteiramente em um nível teórico.

Religião para Ateus - Alain de Botton 
 

O vento carrega consigo o tempo, trazendo memórias, as nossas histórias, 
Marcas impressas, da vida passada, ausente, presente na pele, na mente
Ele guarda as nossas saudades,de friagens, mornas tardes de infâncias, 
As roupas, a música, o cheiro das comidas, a acolhida em abraços queridos
Sentar na varanda e sentir o vento, é sonhar com os sonhos já sonhados,
Voltar ao passado, viajar no espaço do tempo que um dia nos pertenceu
O vento não envelheceu, guardião de lembranças sem idade.
Contém em si tantos universos, tantas vidas, tantos sentimentos
E mesmo assim é leve, transitório, sem território, sem dono,
Produz aquilo que se propôs na criação
E nunca pára, nunca reclama, às vezes chora, grita,corre,
Sentindo talvez as angústias de tantos amores separados, dores, desejos frustrados
Saudades anônimas,
Alegrias sem fim de um filho nascido, de um desafio vencido
É o vento
Ele, que sem que ninguém perceba, nos transporta, transborda, transforma.

Antônia Esnarriaga de Souza 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

23 pares

Sou a mistura de dois seres diferentes do início ao fim, minha mãe uma mulher culta até onde sua criação permitiu que fosse, sentimental ao último, é o algodão no campo que ao menor passar do vento se mexe, sente. Ao mesmo tempo, uma mulher focada e inteligente, prática e rápida, no que também lhe foi permitido crescer nesse aspecto durante a vida. Ela escrevia, e ainda escreve às vezes, poesias lindas, textos complexos, sempre questionando a vida e buscando mais conhecimento. Meu pai, um homem lógico, alguém que a mãe sempre definiria como "frio e calculista!", de firmeza impecável, sério e simples, um homem que não reclama muito e que aprecia demais sua solidão. Por outro lado, o pai é piadista de primeira quando se sente seguro no ambiente, foi cantor e é amante da música latina, me fez crescer ouvindo Ráfaga entre outras bandas, me deu um violão ao mesmo tempo que me queria no quartel.
Eu sou a mistura de duas pessoas totalmente diferentes, se às vezes eu não me entendo, é justamente por eu ser metade de duas pessoas totalmente diferentes.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Amigo antigo amido de trigo.

Perca a pedra, prenda a presa, pise no freio.
O necessário é tão superestimado, tudo sentido falso, pré-criado, procriado em laboratório. Meu sabor enlatado, meu iogurte de morango aromatizado, que mundo é o real? Não este, não eu.