sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Diga-se da risada forçada.

Tudo limpo, pode olhar, dentes brancos, tênis novo.
Tudo novo, pode entrar, sala grande, ambientes climatizados.
Tudo certo, pode conferir, carro do ano, roupa da moda.
Ah, a felicidade alheia, parece tão fácil de conseguir, basta um único fator e fica tudo resolvido. A felicidade não gosta de muito questionamento, enche o saco rápido, muda de assunto, sai porta a fora dizendo que não sabe se volta pro jantar. Com brigas frequentes, fala em separação e eu digo "mas e as crianças, como é que ficam? Tudo isso que a gente construiu juntos", mas ela, resoluta, diz que tá cansada dessa história toda, que eu era muito diferente antes, depois de um tempo ficou impossível de conviver. Vou afogar as mágoas na tristeza que fica sempre aparecendo e me querendo.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Não deixa o samba morrer

Acho que é por isso que dizem pra gente sonhar e aquele papo todo, o sonhar é o recheio do bolo, o sonho realizado é só a barriga cheia. Ter é tedioso, querer é totalmente excitante, deve ser culpa do instinto, sei que depois de conseguir vir morar em Porto Alegre, o grande sonho de uma vida, tudo se tornou como já era.

domingo, 17 de novembro de 2013

Percepções per capita.

Nos delimitamos a extremidades iguais no que diz respeito à percepção. Se não conhecemos, não percebemos, se conhecemos há muito tempo, também não percebemos. A mãe sempre me dizia que os índios, com a chegada dos portugueses, não conseguiram enxergar os navios a primeira instância, por justamente não saberem o que aquilo era ou significava, por nunca terem visto algo igual. É como enxergar algo totalmente fora do nosso conceito, o que é, óbvio, difícil de imaginar. Uma questão interessante que li certa vez era "Pense numa nova cor, diferente de todas as que você já conhece.", tentei e falhei, é impossível pensar em algo que eu já não conheça. Essa história dos índios pode ser só uma invenção, mas exemplifica a primeira parte da questão, quando não conhecemos, não percebemos. Esse conceito não é, de fato, universal, podendo haver algumas exceções, mas pensando no geral, acho que ele se aplica mesmo em casos onde o elemento em questão não seja totalmente desconhecido. As coisas e pessoas, logo que conhecemos, por mais que observemos, não possuímos conhecimento pra uma percepção completa, ficamos ativos pegando toda a informação possível. Parece óbvio isso tudo.
    Agora estava escovando os dentes e quando olhei no espelho percebi que saiam "ossos" de dentro da minha boca e que eu escovava eles sem sequer ligar. Quando terminei a escovação, olhei no espelho e percebi que o que a gente chama de boca, não passa de uma pele do avesso, que mostra uma parte interna do nosso corpo. Normal, todo mundo chega a essas conclusões uma vez ou outra, mas de tanto sabermos, conhecermos e vivenciarmos isso, deixamos de perceber o conceito dos dentes, por exemplo. A preocupação agora é se eles estão brancos e retos o suficiente. Uma foto com alguém sorrindo não nos dá medo ou receio por estarem saindo da boca da pessoa pedaços de cálcio em formatos retangulares, ou que a mesma boca que sorri é nada mais que um pedaço de carne exposta. O sorriso é um conceito de felicidade e nada mais. Esse exemplo do corpo é só mais um, pensando em coisas e pessoas, de novo, também chego a conclusão de que dá no mesmo. Depois de certo tempo as percepções vão cegando e a gente já vai enxergando só um conceito formado ao longo do tempo.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Arrefecer

Li "Banana Caturra R$ 1,49", entrei no armazém segurei uma das caixas com bananas e joguei com toda força no chão enquanto urrava "banana caturra, banana caturra", segurei outra e fiz o mesmo processo. Quando voltei a mim, apenas olhei para o dono do armazém que me olhou de volta.
    Entrando na Lopo, aquele sereno me arrebatou com vontade, olhei para as pessoas e elas passavam, passivas a tudo, serenas como a rua, percebi logo que eu também isso transparecia e foi o instante em que senti o ferro da jaula que carrego e que carrega a mim. Foi claro assim que vi que todo mundo fazia o mesmo, mas sem a sensação, a incomodação do ferro, fica mesmo difícil deixar o macaco irritado quando o mesmo está sendo alimentado com bananas caturra a R$ 1,49.
    Depois disso, todo o resto deixou de fazer sentido e eu só sentia o sol fermentando minha pele que já não se importava em procurar sombras. Com os olhos quase fechados caminhei pra casa sem nenhuma mudança aparente.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Deus não perdoa os pecados que manda cometer

Que fizeste com o teu irmão, perguntou, e caim respondeu com outra pergunta, Era eu o guarda-costas de meu irmão, Mataste-o, Assim é, mas o primeiro culpado és tu, eu daria a vida pela vida dele se tu não tivesses destruído a minha, Quis pôr-te à prova, E tu quem és para pores à prova o que tu mesmo criaste, Sou o dono soberano de todas as coisas, E de todos os seres, dirás, mas não de mim nem de minha liberdade, Liberdade para matar, Como tu foste livre para deixar que eu matasse a abel quando estava na tua mão evitá-lo, bastaria que por um momento abandonasses a soberba da infalibilidade que partilhas com todos os outros deuses, bastaria que por um momento fosses realmente misericordioso, que aceitasses a minha oferenda com humildade, só porque não deverias atrever-te a recusá-la, os deuses, e tu como todos os outros, têm deveres para com aqueles a quem dizem ter criado

Caim - José Saramago 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Digladia a mente.

Atroz a voz que vence, que vem, que vende longe, que vem de nada. Astuta mente estúpida entupida de opinião qualquer, não se aprochega pro mate, não mata ninguém, não nega negação nem diz que não. Liga no dia seguinte pra avisar o porquê de não ter ligado, se embaralha, disque denúncia, diz que não vai se repetir, disco arranhado, aranha cansada de arranhar , correta ela.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Escafedeu-se

A vida muda muito rápido, sem te dizer nada, trabalha friamente sem tu perceber e trama, como trama, tudo antes de tu virar e ver. Ela é o minuto que só muda quando tu desistiu de tentar ver mudar. A vida é isso ou nada disso, no fim das contas a gente nem percebe nada, vai perdendo os sentidos, sendo levado por uma constante inconstante.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Pouco

Cabes? Caibo. Mas é uma caixa tão pequena. Que diferença faz, a vida inteira sobrou espaço nos outros lugares que estive, de repente agora faça alguma diferença, pelo menos visualmente. Não gosto disso, ainda assim vais ficar desconfortável. O desconforto não é novidade, nem será o fim do mundo, onde antes eu cabia com folga, o desconforto era maior, pode ter certeza.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

domingo, 3 de novembro de 2013

Poste aqui

Faz um tempo eu venho desistindo aos poucos da forma de ser convencional, não exatamente por querer, mas por simplesmente acabar não cabendo, não sabendo escolher ou agir. Nessa exclusão de meios sobram rabos e restam folhas. Essa forma tangente de sair não me garantiu qualquer exclusividade, nem sentimento de unicidade, sequer assim satisfação. Esses pés que sobram do outro lado misturam as coisas e deixam tudo como se fosse uma inalcançável questão. Aos poucos eu vou cedendo de um lado pra outro, pra não sair do lugar  "acho que não vai dar, tô cansado demais, vou ver a vida a pé".

O Mal amado

Então, varrendo o pátio me deparo com uma lagartixa morta cercada de formigas garantindo seu alimento para as próximas semanas. Prontamente passei a vassoura por cima, enquanto isso uma música calma tocava ao fundo, escolha minha, In the fade. Tudo isso me permitindo uma reflexão qualquer sem muita prioridade quando de repente vejo que a serenidade que me cabia era completamente oposta ao caos que reinava lá embaixo. As formigas desesperadas vendo seu alimento e muitas a si mesmo indo embora, morrendo, simplesmente do nada, sem aviso. Ninguém avisou a elas que eu limparia ou que comer a lagartixa era errado, elas só pensavam no futuro, coitadas. Quanto mal causamos enquanto estamos agindo, simplesmente, normalmente? Limpar a casa é um mal, definitivamente.

sábado, 2 de novembro de 2013

Subterfúgio

Não há falta
há fogo fraco queimando vento
Mato seco, isolado, queimando ao sol do verão
Quem são e quem poderia ser?
Ninguém por completude, nada por fazer.
O problema é não haver problema demais.