quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Comfortably Numb

Tudo cai, culpa da gravidade dos problemas. Agrava a gravidez de uma nova cultura de cultos infantis. Eu idoso não caio nessa, escorrego é na bagunça no caminho deixada.

domingo, 14 de dezembro de 2014

"Quando avistei ao longe o mar, ali fiquei parada a olhar"

Song to Sing.

Suplico salpicão

My skin floats and I can not handle this because all I see is stranger for me.
These kings and queens, my skin, and everything stops suddenly.
Suffering for something I do not know, I walk in my mind in fast steps, carrying with me all that plastic feeling.
May I return?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

All-in-one

Chovia e eu, de ônibus, voltava pra casa. Os vidros fechados causavam calor, então abri um tanto da janela mais próxima a mim. No mesmo instante vi que o vento não pegava em mim, ia direto para uma senhora no banco de trás. Pensei que tudo bem, afinal, calor ela também passava, porém, logo percebi que assim como o vento, a chuva, mesmo fraca, poderia estar chegando até essa tal senhora. Então virei para trás e perguntei se não estava "chovendo" nela. Ela disse que não e seguimos viagem.

A questão aqui é a seguinte, a senhora não sou eu, mas sente do mesmo jeito. Não sei expressar mas se um fosse todos, sentindo como todos, estaria feito! No momento que nos dividimos, um abismo se faz real e não me interessa mais tua situação, se bem ou mal. Isso me soa tão simples que chega a ser ridículo, mas já tomamos rumos em carros desgovernados, desenhados sem freio pra que nada obstrua o fim.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Náufrago

Estou só, em meio a essas vozes alegres e sensatas. Todos esses sujeitos passam seu tempo se explicando, reconhecendo com satisfação que têm as mesmas opiniões. Deus meu, que importância dão a pensar todos juntos  as mesmas coisas.

Jean Paul Sartre - A náusea 

domingo, 9 de novembro de 2014

Cabo da boa esperança

A chuva repentina repetia uma rotina cansada de repente, dependente de um mesmo dia que repetia e repetia.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Parquet

Saudade de mim, assim como eu era
assim, sem eira nem beira.
Do tempo que não havia tempo nem hora.
Eu vagava evasivo e voltava sem aviso.

Voltei pra mim, pra quê?

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Dois barcos

Falta óleo, sobra bolha nos pés.
Nós, péssimos olhos, vivendo nessa bolha sem pé nem cabeça.
Não te vejo porque já não te toco, nem sinto.
Caminho e o caminho nubla, corro e a chuva inunda.
Só penso em mim, porque é o tempo que tenho pra fazer.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Adocica, meu amor.

Entre uma tosse e um espirro me encontrei doente, mas doente mesmo.
Entre um corredor que faço jus e corro e o e-mail não respondido, estou doente.
Entre o despertador e a ausência de qualquer sentimento ao passar pela vida, estou débil.
O sintoma mais claro pode se ver na menor atitude que eu faça.
Fica em mim, na minha não distração ou no excesso dela.
Tudo virou uma grande ampulheta e todo tempo eu declaro como acabando, como quem ainda grita "Jesus está voltando".
Com os olhos vidrados e a mente acelerada, acordo e sigo dormindo pra vida.
Me interessa apenas aquilo que eu não sei, aquilo que eu tenho por fazer.
Mas a doença é muito mais esperta que eu.
De forma que eu não chegue ao ponto de não ter o que fazer, ela me sabota e me faz fingir fazer pra não fazer e fazendo assim, não faço.
O tempo encurta e quando vejo chega a hora, o cabelo coça e eu me deixo entregue ao desespero.
Ignoro a deus se me chamar, de forma que eu possa acabar o que devo.
Não há cura além de um bom tapa na cara, de forma que a doença se vale da nossa educação e ninguém faz isso por mim.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ser humanaomenos

Pra escapar da chuva, um rapaz corria pela calçada. Ao se aproximar de um outro, que não dava por conta da chuva e caminhava vagarosamente, o esforço de correr fez com que o primeiro rapaz peidasse de forma sonoramente audível. O segundo rapaz vira, ri e pergunta: tu peidou? No que o outro responde: sim, sou humano, mas não conta pra ninguém.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Campo em mi? Nado.

Adia mais um dia do tal no qual o dia vai ser.
É noite, é dia, adia, adia, há dia em que nada mais há.
E eu na fome desse sal distante demais do mar.
Mastigado pelo tanto que falta, não me dei por vencido.
Cada dia travo com bolas na trave o entrave da estância
que é meu lar.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ctrl + s

No pensamento transeunte da cabeça desolada, todo distante é bom, todo impossível é divino.
Viajo até lá e me esforço pra chegar, fruto da pura esperança e ilusão.
Porque quando tudo eu chego, chega junto comigo a verdade da falsa impressão.
Não ter é pensar que quando tinha só o bem existia, sendo que, assim como tudo, o mal fazia parte.
Retorno ciente, na corrente do mar, com a cabeça na direção, pronta pra "disrecionar" de novo e no primeiro tombo cantar valsas ao que tinha e "perdi" mais uma vez.

domingo, 22 de junho de 2014

Piso nas pegadas alheias

E de repente virei meu pai, como quem vira vinho tinto na camisa branca.
Não é fantástico isso? De um dia para o outro me percebi, olhei pra mim.
Na procura de uma brecha de solidão, de quietude, me vi meu pai.
Na frieza quanto ao resto quando o que importa é o eu, vi ele em mim.
Na manhã de domingo em que se espera que ninguém acorde.
Que o barulho não seja feito e que todos permaneçam em silêncio.
Não por mal, mas só por alguns instantes, para que eu me sinta só.
Para que eu me sinta único e meu, para que eu me sinta meu pai.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Erase

E a reza rasa tomou conta do meu ser
Seremos todos passado?
Ou apenas amassados no roupeiro?
Esquecidos em cima dos armários
apagados pelo escuro.
Questiono como as coisas somem
simples e rápidas
Um dia nossos corpos boiarão no mar do esquecimento, para que todos vejam e fujam com os olhos.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Resto em pizza

E então eu morri, com dois tiros no peito enquanto seguia pela Getúlio em direção à Barão. Nem sei de onde vieram, quais intenções tinham e os motivos pelos quais foram disparados. Não lembro, lembro só do que aconteceu antes disso, da situação que me abordava no caminho. De cabeça cheia e com a chuva aliada, não via nada, só caminhava querendo chegar em casa. O ônibus havia demorado mais que o comum pra chegar, talvez por conta da chuva, não sei. Sei que estava preocupado, estado que se mantem inalterado há um bom tempo. Tenho que escrever minha dissertação, entregar os trabalhos, montar uma apresentação, comer, comprar pão. Não deu tempo nem de chegar na padaria, me livrei de tudo antes, e agora que acabou parece tudo normal, tudo acaba quando a gente morre. Morrer é um soco tão grande na vida que logo de início a gente não percebe e segue preocupado. Acho que vou ter que morrer da morte pra ver se os fantasmas da vida finalmente me deixam em paz.

sábado, 31 de maio de 2014

Situação I

Olhei pela janela,
o vento passava e eu não via,
a vida vivia e eu não olhava,
o tempo corria mas não me ultrapassava.
Todo o resto era suspenso na imagem da imaginação,
na verdade estamos sós preenchidos

TUDO MENTIRA!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Quem tem tempo que tempere

E eu parei, estacionei em vaga proibida, desci pra cuidar de umas coisas e perdi o carro de vista.
Volto, ainda meio zonzo, ainda que não bem volte, preciso esquentar as baterias há muito paradas.
No entanto, trago pro carro muitas coisas, interessantes ou não, são coisas.
.
.
.
Será que eu perdi a mão e não sei mais dirigir? Ou só cresci e não caibo mais no carro?
O tem podirá?

terça-feira, 22 de abril de 2014

Nexus breves

O vento sopra colheres de sopa no chá das cinco remarcado para às 18h. Quem faz, quem diz, quem mente ou desmente. A vida, semente, o chão doente, o dedo no dente, a vida ferida. Quanto papo pra um só pescoço, coço e roço, num retosso sem fim, assim como quando duvidas de mim.
Tempo rei do penhasco em que estávamos, pulei junto achando tudo lindo.

domingo, 13 de abril de 2014

Publicar

O silêncio insosso me acompanha na volta, interrompido pelos passos sem vontade. O caminho já é conhecido mas cada vez encontro algo novo, uma cor na escuridão que faz. A luz é fraca e a visão é desfocada, é sempre assim, é tudo igual, apesar do frio que começa a dar as caras. Sofro por não ter vontade de fazer coisas das quais não sei se tenho querer.


A Fuga

A fuga afogou mais um
no mar que nos cerca
Fugiu humilde, comum

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Abraços

Embaça a visão do sentido, ou da direção, no contraste contínuo com a realidade, tudo isso deixa de ser verdade. O vazio desprende da boca e cai na rede, chacoalhando que nem peixe, incomodando os já presos pela mesma. Assim me retiro enquanto há tempo, tempo pra fechar os olhos na direção da bagunça organizada.

domingo, 9 de março de 2014

Donos doloso

O cômodo incômodo nem culpa tem, tem quem dele não sai.
O cômodo é de ninguém, mas a uns pertence mais.
O cômodo quando é meu me pertence também e eu me sinto dono d'algo.

Não falo nem clamo pelo que não me pertence.
Também não quero nem amo algo que não pense.
Canso de não olhar e não falar e me sentir estranho por no cômodo estar.
Como se não fosse meu também, como de fato não é.

Eu invasor da casa alheia, estorvo, areia.
Que se calem e engulam seus pratos e seus conceitos fechados.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Só -. .- ---  .-.. . .. .-  .- ...  . -. - .-. . .-.. .. -. .... .- ...
Um monte de coisas escritas em branco pra significar outras.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Fogo

Fujo de mim, fujo de ti, fujo da gente, só pra me encontrar, num egoismo desesperado, e falho, falho sempre, falho porque não encontro sequer sombra e se quer saber acho que nem quero encontrar. Quero fugir e só, não é de hoje, nem é uma ideia passageira que também está em fuga.

Draw a picture of the world we are.

Como não poderia se não podo o que posso? Meus olhos não tocam o das pessoas, além do mais, uso óculos de sol, pra evitar maior contato. Minhas mãos resvalam e encostam na desconhecida, a sensação é suspensa nos milésimos de segundo em que, sem olhar pra ela, retiro a mão retomando à posição inicial. Me pergunto se perguntaria algo a alguém, mas antes que eu pense, três pensamentos correm e me alcançam, argumentando para que desista.

Ando cansando fácil de andar cansado.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Tanto tenho tempo quanto pranto.

Reclamo porque tenho, se não tivesse reclamaria por não ter.
Tenho porque quero, quero porque quis, tenho porque quis.
Quis porque todo mundo tem que querer algo, logo, não quis, quiseram.
Reclamo porque não quis e me deixei querer pelo querer dos outros e agora tenho o que reclamo e reclamo porque tenho.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ad infinitum com cobertura de caramelo, por favor.

Uns dias acordo e pra nada presto, nada quero. Olho pro nada e nada me atrai, me cai bem não querer nem gostar.
Me irrito e é a cobrança a dona da "irritância", é você, isso, tu! Todo mundo vira inimigo da minha paciência e a desistência parece perfeita.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A coruja dá bom dia.

A solidão como destino, a porta a ser aberta, a parte em partes correta.
Já não se sabe o que sopra, mas é um vento certo que vem, que venta.
Há tanto o óbvio se mostra e eu escondo o rosto entre as mãos incertas.

Esquece, mudei de ideia.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Déjà vida

Novela das 8 ou 9, mudam os personagens a história é a mesma, mas não dizem que a arte imita a vida? Ou é o contrário? Independente, fazendo jus à primeira afirmativa, "a arte imita a vida", não diria que ela está errada. Não é de hoje que vejo as mesmas pessoas em corpos diferentes, e não, não sou médium, ninguém morreu pra que isso acontecesse. O fato é que em cada "fase" da vida os mesmos personagens me acompanham apenas trocando de corpos. O cenário muda, o contexto é diferente, mas no fundo, tudo igual, o mesmo roteiro. Como na obra do Nietzsche, Assim falou Zaratustra, que li numa versão mangá, onde ele traz a ideia do Eterno Retorno. No caso atual em que percebo, vejo que meu Eterno Retorno acontece dentro de uma mesma vida, sem a necessidade de morrer, e vai se repetindo a cada passo novo. O interessante e talvez o ponto onde Nietzsche queria chegar, é que, percebendo isso, é possível lidar com a mesma situação de forma diferente, modificando o desfecho. Nada muito fácil, de fato, uma vez que a tendência de repetir tudo é imensa. Mas quem sabe um dia eu vire um Além-homem, o que na verdade não gostaria. Por ora, durmo como antes fiz e como repetirei amanhã.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Tudo depende do ponto que modifica a frase;

Cabes baixo aqui, entre o meu querer e o meu poder.
A reflexão odeia peças de teatro e por isso não tem timing pra aparecer em cena, vem quando menos se espera. Quando vi, no banheiro, era ela, toda toda, me mostrando algo que eu ainda não tinha percebido. Fui ver e era verdade, com tapinhas no rosto me contou que sou dependente de problemas. Relutei e disse "peraí, não é bem assim", mas ela riu e me fez pensar, mostrou por A mais B que minha "infelicidade" fazia sentido nenhum. Eu invento as coisas pra poder viver sempre do mesmo jeito, deve ser comodismo.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Se cá há, cá é.

O vazio vazou, rolou pelo chão fugindo por debaixo da porta. Eu, que já sabia da fuga de antemão, avisei tão logo, Pode demorar, mas sei que tu voltas e quando fizeres, traga pão e café.

Não pensa, não fala e sequer respira, preenchi essas ausências encharcando de sentimento tal objeto. O ser humano é um vício por significados.

Vá de reto, meu erro! Dobre a esquerda e siga por mais três quadras, vai haver uma quitanda em frente a uma árvore volumosa, diga que te enviei, vão saber do que se trata. E por favor, quando vier visitar, ligue com antecedência.


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Quem sois que não te vejo?

A maçã que oxida elucida coisa nenhuma, apenas reage enquanto ao meio. Mas se eu quisesse distinguir ela das outras, dizer dela que foi minha e a forma como ela se tornou ação minha? Bom, aí teríamos de dizer que também não foi por exato mal, deixei ali após algumas mordidas, nem tudo é válido de sempre lembrar. Quando olhei novamente a encontrei assim, por maior conhecimento que eu tivesse, não poderia ter a certeza que assim ficaria e que não me deixaria mais morder.
A maçã que oxida elucida o vão do perder, indica a distração que leva à mudança no ambiente, talvez até o momento exato. Essa maçã é exigente e quer ser sempre primeira, o descuido é digno de pena, perdeu, vá buscar outra.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Bananas de Pijamas

Bactérias, estão por toda parte e se reproduzem numa velocidade absurda. Um dos lugares em que vejo isso acontecer é na garrafa que uso para colocar e tomar água. De um dia para o outro, estando tampada, ela acaba sendo foco da proliferação desenfreada. Isso me faz criar uma rotina diária, todo dia chego e levo a garrafa até a copa para lavar, coloco um pouco de água, chacoalho, chacoalho e largo. Básico. Dia desses, como outro qualquer, fui fazer o processo e comecei automaticamente, sem me policiar sobre nada. Pensando em outra coisa qualquer, não dei pela situação da minha cara ou se o que eu mexia eram os braços ou o corpo todo. No meio daquela situação fora de mim, sinto a presença de alguém às minhas costas e quando fui conferir, BINGO, lá estava uma aluna de mestrado. Meio que sem saber o que fazer e percebendo que eu estava me mexendo todo e com a língua um pouco para fora da boca, tentei manter a naturalidade. Olhei pra ela, ri bastante sem graça e dei o lugar para que ela usasse, tentando transformar aquela situação na coisa mais normal possível. Saí da copa e pronto, passou, não podia fazer mais nada.
Assim como as bactérias se reproduzem em alta velocidade, o pensamento não fica pra trás, comecei a germinar o óbvio. Por que razão teria eu de entrar numa fantasia enquanto havia outra pessoa próxima a mim? Por que eu simplesmente não segui livre fazendo o movimento que eu estivesse fazendo? Afinal, esse sou eu sendo natural. Qual é o problema com a minha naturalidade que não deve ser expressa aos outros? Essa vestimenta invisível que usamos sem nem perceber e que sem ela é como se andássemos nus faz com que tudo entre em outra realidade, uma realidade "desnatural". Me pergunto em que momento isso aconteceu, eu digo, em que momento viramos essas pessoas eternamente vestidas? E por que razão? Provavelmente seja a mesma razão pela qual usamos roupas, o natural ofende, o natural já não pertence ao ser humano.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sigo cego, ego, não nego.

A crítica ardente cortou mais uma generalização ao meio. Às cegas apalpou pontes de plástico e ligou pontos perdidos. Fez real uma inverdade, do conceito breve à completa definição.

Me pego sendo ignorante e às vezes ignoro.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Em fé lhe cidade

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
 Poesia completa de Alberto Caeiro - Fernando Pessoa

Hipérbole

O forno fez silêncio enquanto entravamos na cozinha, explodiu o caos, fez negra a prataria. No prado molhado da chuva, silêncio não conhece, a bicharada livre esconde o que eu dizia. O dito Odete disse, ou dito ou vão ficar copiando na hora do recreio. Receio ter me equivocado aqui, cavucado na falta do sentido exigido pelo cliente exigente.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Sanciona o que te abandona.

O rosto em fade out se desfazendo ao longo dos dias entre a luz do sol e a do monitor. A rotina em fade in vem chegando mansa enquanto a sombra não alcança mais um dia quente. Por costume o chão já me tem e a falta de ventilador é só um detalhe, o suor que sai de mim corre livre em busca da liberdade. A cobrança sem valor financeiro se acomoda na cabeça fazendo com que o peso a ser equilibrado machuque e a dor acompanhe a passagem das semanas. A saudade é o manjericão dos dias, traz gosto ao alimento antes insosso.

A vida às vezes é esperar pelo "não sei o que", pelo ventilador, a cama, acácia, a casa arrumada, o fim.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Errói

Eu não gosto de heróis. De mitos, só os da Antiguidade. Não gosto porque não acredito, porque acho pobre, porque acho chato. Se de perto ninguém é normal, de perto ninguém é herói. Essa mania de mitificar gente, alçar fulano ou beltrano ao Olimpo porque supostamente fez algo sobre-humano, empata a vida. Faz com que os supostamente pobres mortais se sintam exatamente isso: pobres mortais. Ou losers, na expressão do que a cultura americana tem de pior.
Um ser humano, qualquer um, é infinitamente mais complexo e fascinante do que o mais celebrado herói.

A vida que ninguém vê - Eliane Brum

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Um drama indisposto

Vivo da distância entre mim e eu. Vivo vago, desapego, pego, largo. Vivo da distração dos ouvidos, vidas vindas da chuva. Vivo do vazio que dá a falta, que falta faz. Vivo da saudade e do não alcançar, vivo do quase viver, quase chegar. Não sei viver enfim. Não sei chegar.