segunda-feira, 28 de julho de 2014

Adocica, meu amor.

Entre uma tosse e um espirro me encontrei doente, mas doente mesmo.
Entre um corredor que faço jus e corro e o e-mail não respondido, estou doente.
Entre o despertador e a ausência de qualquer sentimento ao passar pela vida, estou débil.
O sintoma mais claro pode se ver na menor atitude que eu faça.
Fica em mim, na minha não distração ou no excesso dela.
Tudo virou uma grande ampulheta e todo tempo eu declaro como acabando, como quem ainda grita "Jesus está voltando".
Com os olhos vidrados e a mente acelerada, acordo e sigo dormindo pra vida.
Me interessa apenas aquilo que eu não sei, aquilo que eu tenho por fazer.
Mas a doença é muito mais esperta que eu.
De forma que eu não chegue ao ponto de não ter o que fazer, ela me sabota e me faz fingir fazer pra não fazer e fazendo assim, não faço.
O tempo encurta e quando vejo chega a hora, o cabelo coça e eu me deixo entregue ao desespero.
Ignoro a deus se me chamar, de forma que eu possa acabar o que devo.
Não há cura além de um bom tapa na cara, de forma que a doença se vale da nossa educação e ninguém faz isso por mim.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ser humanaomenos

Pra escapar da chuva, um rapaz corria pela calçada. Ao se aproximar de um outro, que não dava por conta da chuva e caminhava vagarosamente, o esforço de correr fez com que o primeiro rapaz peidasse de forma sonoramente audível. O segundo rapaz vira, ri e pergunta: tu peidou? No que o outro responde: sim, sou humano, mas não conta pra ninguém.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Campo em mi? Nado.

Adia mais um dia do tal no qual o dia vai ser.
É noite, é dia, adia, adia, há dia em que nada mais há.
E eu na fome desse sal distante demais do mar.
Mastigado pelo tanto que falta, não me dei por vencido.
Cada dia travo com bolas na trave o entrave da estância
que é meu lar.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ctrl + s

No pensamento transeunte da cabeça desolada, todo distante é bom, todo impossível é divino.
Viajo até lá e me esforço pra chegar, fruto da pura esperança e ilusão.
Porque quando tudo eu chego, chega junto comigo a verdade da falsa impressão.
Não ter é pensar que quando tinha só o bem existia, sendo que, assim como tudo, o mal fazia parte.
Retorno ciente, na corrente do mar, com a cabeça na direção, pronta pra "disrecionar" de novo e no primeiro tombo cantar valsas ao que tinha e "perdi" mais uma vez.