domingo, 23 de agosto de 2015

Causo 3: O casulo enclausurado

Tudo que faço é irônico, é hipócrita.
Ajusto o alarme para às 7h15, mas nem quero acordar, nem quero sair.
Tomo banho e me desconcentro com preocupações relacionadas à minha imagem, tudo mentira, nem quero nem consigo ser diferente.
Perco tempo pensando no que tenho pra fazer, nas ocupações cotidianas, mas não sou eu, na verdade nem sei quem é.

De fato não ouço o que digo, não converso comigo.
Sou refém d'outro eu que me desmente em minha frente e me afirma do avesso.
Tropeço em tanta asneira, chego em casa e a alforria desejada vira piada das preocupações "coerentes".
Quero mudar o mundo lendo uma série de livros entre um dia e outro, mas nada se consegue debaixo da carapaça do medo.
Pra sair e ver o sol não é só simplesmente abrir a janela.
Tem que quebrá-la e fazê-la ver que deveria estar sempre aberta.

domingo, 16 de agosto de 2015

No mar li "dad".

A loucura surge da comparação direta entre uma determinada ação e uma lista de ações pré-definidas.
A partir da não existência, de uma ação executada, na lista, tem-se o início de um indício de loucura.
Confirmar tal indício é reproduzir uma sequência de ações ausentes na lista.
Esta lista que divide a normalidade da loucura é definida a partir de uma série de falsas certezas obtidas ao longo de um período x e que indicam o que é correto fazer dentro de um determinado contexto.
Por exemplo, dado que você está numa pista de corrida, devidamente "uniformizado" com calção e calçado, correr é uma ação perfeitamente aceitável.
Ora, faz bem para a saúde correr, faz pulsar o coração, ativa o corpo.
Todavia, se você estiver sentado em uma mesa junto com seus familiares e há comida sendo servida, sair correndo é totalmente inaceitável, uma falta de respeito, uma loucura.
Veja bem, as pessoas estão ali para passar um tempo com você, querem sua atenção, querem lhe dar atenção e carinho, como assim sair correndo?

Bom, sem sombra de dúvidas esta lista de ações só quer o nosso bem, questioná-la ou agir em desacordo com ela é uma completa idiotice.
Pessoas estudadas devem ter passado anos estudando todas as possibilidades, os contextos, as situações, as pessoas e suas subjetividades para enfim definir o que é certo e melhor.
Graças a eles hoje vivemos em paz, regendo uma normalidade sobre nossa vida, a normalidade que nos liberta para sentirmos tudo e aproveitarmos de uma vida sem erros, porque o erro é o que corrói nossa sociedade.
Por que errar se já está tudo escrito, se a fórmula já foi feita, testada e aprovada?
Cabe a nós respeitarmos esse grandioso trabalho universalizador de ações e viver conforme a norma, sem esquecer de denunciar e eliminar da sociedade todo indivíduo que cometa loucuras totalmente sem sentido.