quarta-feira, 16 de março de 2016

Iniciação

Logo após pegar no sono sou acordado por um barulho familiar.
Ainda pensando no rápido sonho que se esvaía da memória, senti as pisadas no andar de cima ficarem cada vez mais fortes.
Era a segunda vez essa semana, mas dessa vez foi diferente, eu conseguia sentir como se participasse.
No teto, eu conseguia enxergar os pés das crianças andando em círculos como se em volta de um desenho.
Os gritos e conversas em uma língua distinta deixavam clara a presença de duas crianças e um adulto.
O ritual já devia ter começado há alguns minutos quando pude ver, duas crianças pintadas com listas brancas ao longo do corpo e no rosto levantando e baixando os braços enquanto entoavam uma cantiga.
Não me perceberam, não precisava, eu agora era um deles, entrei na dança e cantei como se eu de tudo soubesse.
Tiraram meu sangue e ofereceram à uma entidade, eu assisti minha mão ensanguentada enquanto minhas pálpebras cobriam meus olhos.

...

No dia seguinte, saindo para o trabalho, encontrei as crianças e o pai que as levava para a escola.
Cumprimentei como de costume e seguimos o dia.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Não!

- Está zangado comigo, Dom Juan? - perguntei, quando ele voltou. Pareceu ficar espantado com a minha pergunta. 
- Não! Nunca me zango! Nenhum ser humano pode fazer alguma coisa tão importante que mereça isso. A gente se zanga com as pessoas quando acha que seus atos são importantes. Não sinto mais isso.

A Erva do Diabo - Carlos Castaneda